Irracionalidade e o efeito manada







Imagine que você está andando na rua e vê dois restaurantes vazios. Você não conhece nenhum deles e escolhe um para sentar. Em seguida chega um grupo que também não sabe nada dos restaurantes, eles vêem um restaurante sem ninguém e outro com você dentro. O que eles fazem? Escolhem o que você está. Na sequência vem um casal, olha os dois restaurantes e pensa: esse que tem gente deve ser melhor que o vazio, e acaba escolhendo o mesmo. E assim vai acontecendo o que chamamos de "efeito manada", até que no final temos um restaurante que é um sucesso e outro um fracasso, simplesmente porque tendemos a seguir outras pessoas.

Um triste exemplo desse comportamento foi verificado na tragédia da boate em Santa Maria, no sul do Brasil, onde centenas de jovens acabaram perdendo a vida por conta de um incêndio. Ao entrarem no local, os bombeiros notaram que muitos morreram no banheiro, provavelmente porque viram alguém correndo naquela direção e acabaram seguindo o instinto de manada: “se estão indo naquela direção é porque deve ser o melhor a fazer”. O instinto é muito forte.



O mesmo acontece na moda: alguns começam a usar determinadas roupas, outros gostam e copiam. Depois de um tempo, quase todo mundo se veste daquele jeito. No mercado financeiro: quando a bolsa está em alta e as ações caras, muitos querem investir, criando as famosas "bolhas", quando a bolsa está em baixa e as ações baratas muitos querem vender e poucos aplicar, criando os "crashes". Nas mídias sociais (facebook e instagram): são casos clássicos em que algumas pessoas começam a usar, contam para os amigos, e logo todo mundo está conectado. É difícil ficar fora ou ir contra essas tendências.

Na maior parte das vezes não sabemos o que queremos, e porque não sabemos, o ambiente tende a dirigir nossos desejos, influenciar nossos pensamentos e definir nossas escolhas. Mas nossa mente prega peças ainda mais curiosas. Cientistas descobriram um comportamento que chamam de “self herding” algo como um efeito de “auto-manada”, onde decisões que tomamos no passado servem como guias inconscientes para decisões futuras. 


Uma experiência interessante foi feita muitas vezes: pesquisadores entregam um produto, vinho por exemplo, a um grupo grande de pessoas. Junto com o produto há uma descrição da vinícula, da uva, etc., mas não o preço. Todos analisam e em seguida recebem uma folha de papel com o nome do vinho. Os pesquisadores pedem que os participantes coloquem os dois últimos dígitos do RG com um cifrão ao lado do nome do vinho. Por exemplo, se os 2 últimos números forem 78, devem escrever $78. Assim as pessoas que tiverem dois números altos no final do RG registram um valor alto ao lado dos produtos e pessoas que tiverem números baixos escrevem valores baixos.

Os pesquisadores então perguntam se os participantes pagariam, hipotéticamente, tal valor pelo produto. E as respostas podem ser "sim" ou "não". Em seguida os pesquisadores pedem que façam uma oferta verdadeira pelo produto. No final descobrem que aqueles que tem o final do RG mais alto oferecem valores maiores que os que tem um final baixo. Curiosamente, o valor inicial fica gravado na mente e acaba influenciando a decisão posterior, uma espécie de ancoragem. Isso quer dizer que se formos expostos a números altos de qualquer natureza antes de ir às compras, tendemos a gastar mais.

Seguindo esse princípio, quando a Apple lançou o iPhone nos EUA estabeleceu o preço de US$600. Logo em seguida a empresa reduziu para US$400. O que a empresa fez? Ela gravou na mente das pessoas um valor e depois ofereceu o produto com 33% de desconto, uma oferta aparentemente mais atraente que se tivessem lançado o iPhone logo no início a US$400.

Esse tipo de situação está o tempo inteiro à nossa volta e tende a aumentar, porque empresas cada vez mais estudam o comportamento humano, usam artifícios para estimular o consumo e conduzir nossas decisões. Precisamos ficar atentos para saber se realmente queremos aquilo que desejamos e se estamos tomando as melhores decisões.


13 comentários:

  1. percebo isso claramente nos comentarios de videos do youtube; quando inicia-se uma opinião sobre um assunto, todos os demais tendem a seguir a mesma opinião; se alguem discordar e não tiver um apoio, é covardemente atacado.

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    1. Exatamente, percebi a mesma coisa nos comentários do facebook, por isso entrei para pesquisar pois havia me esquecido o nome deste efeito. Surpreendente!

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  2. As versões religiosas são mais absurdas do que às fábulas para crianças

    As religiões, assim como as fábulas (que são formas simplificadas de valorizar a atitude humana perante os fatos).
    Não passam de um engodo para consolar os sofridos, e os que não se adaptam a dura realidade da vida; de confortar os fracos, de controlar os confusos, de controlar os que têm medo da morte, etc.

    Tanto os místicos, como os sofridos, e os que nasceram para serem liderados terminam sendo escravizados pelos que vive no ócio e no luxo à custa dos “Operários descartáveis”...
    Os Lideres religiosos exploram a fé do místico, submete às massas ao seu domínio, ou se aproveitam dos que não tem forca mental suficiente para resolver os seus problemas sozinhos...

    A explicação para que mesmo com todo progresso cientifico, a maioria continue se agarrando nas religiões, que finge explicar a morte, finge explicar o sentido da vida, e finge explicar as desigualdades...
    Estaria no fato de que o cérebro dos religiosos, por não ter AMADURECIDO (no quesito racionalizar), não estaria equipado para descartar os absurdos fundamentalistas.

    Pois o religioso fundamentalista acredita nos ABSURDOS bíblicos (da mesma forma que a criancinha acredita nas aberrações narradas pelas fábulas).
    Sendo que cerca de 90% dos adultos; por serem simples “Operários Descartáveis”, e não algum poderoso Alfa, eles não estariam equipados para racionaliza sobre os seus medos, instintos, ou esperanças...

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    1. Não concordo com o termo "Operários Descartáveis". Mostram-se operários com sua atitude servil, muito úteis com seu serviço, doação e capacidade de trazer mais acólitos para a causa deles. Mas, não são descartáveis, pois tentam educar a família em seu mesmo caminho... Eu os chamaria de "IDIOTAS ÚTEIS"... Quando "idiota" é aquele que apenas defende sua ideia, nada tendo de parvo ou incapaz por isto. São "uteis" porque foram manipulados, transtornando a ideia, tornando verdade o que deveria ser considerado como falácias... São "úteis" por que vão disseminar afala dos líderes, como verdade...

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    2. Nossa que estranho o grau de superioridade com que falam. Estou a pensar, isso fica só aqui, ou tem como seguir la para baixo?
      E se chegar até aos " idiotas úteis" como sera que eles agiriam?

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  3. O efeito manada tem relações diretas com as pesquisas experimentais dos psicólogos sociais Solomon Asch (conformidade), Stanley Milgran (obediência) e Philip Zimbardo (papéis e estereótipos das profissões).

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  4. Edir Macedo, por exemplo, era católico e seguia a boiada na sexta-feira santa, que chorava a morte de Jesus. Ele saiu da boiada, da procissão, depois de refletir que uma religião não pode ser de oprimidos e miseráveis e chegou à conclusão de que deveria basear suas convicções religiosas em cima não de um corpo morto, mas no dinheiro vivo, ou que constrói e levanta o mundo. Ele estava certo até certo ponto, não fosse o materialismo em evidente contraste com o espiritualismo da sexta-feira santa. Materialismo que o levou a fundar uma igreja que pudesse recolher a boiada e a dinheirama que lhe renderia além do poder. Edir Macedo é um dos homens mais ricos do Brasil explorandp a boa-fé da boiada religiosa.

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  5. A grande mídia brasileira leva seus telespectadores ao efeito manada permanentemente para atender seus interesses políticos, mobilizando o população contra seus próprios interesses.

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  6. Interessante como o caos em ES demonstra claramente isso. Pessoas que normalmente não roubariam lojas e comércios estão roubando pois estão vendo outras pessoas fazendo o mesmo.

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  7. No caos da PM do ES, o efeito manada está sendo combatido com a punição de centena de policiais.

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