Sobre a boa vida

por Dado Salem
Setembro 2021



O que é uma vida boa? Como usar bem o tempo que tenho para viver? Quais são as coisas que preciso buscar porque são fundamentais e quais outras são secundárias ou até mesmo desnecessárias? Este questionamento existe desde os primórdios da filosofia numa discussão que frequentemente girou em torno dos conceitos de Eudaimônia e Hedonia

Na Hedonia, a felicidade e o bem-estar são obtidos por meio dos prazeres, por desfrutar as coisas boas da vida e procurar evitar a dor, os desconfortos e sofrimentos. Segundo essa visão, somos movidos pela busca de objetos de desejo, alguns naturais e necessários como casa, comida, roupas, proteção, afeto… e outros desnecessários, como luxos de todos os tipos, riqueza, glamour, cargos, poder, honras, etc.

Eudaimônia, frequentemente traduzida como felicidade, seria mais corretamente definida como florescer, pois, significa literalmente o desenvolvimento pleno do daimon, o espírito que nos habita. Equivalente ao Dasein, o ser no mundo para Heidegger, que vem da mesma origem da palavra design, que contêm um projeto, um esquema em mente, um desígnio, um propósito. Eudaimônia é cumprir seu papel no mundo, o que requer um profundo autoconhecimento. Neste caso, embora as experiências de prazer sejam fortemente positivas, não seriam um objetivo a ser buscado, mas sim um subproduto da expressão dos nossos potenciais, do melhor que existe em nós colocado a serviço da sociedade.

Com vinte e poucos anos, um tempo depois de ter saído da casa dos meus pais, comecei a me questionar que vida deveria levar. Aos poucos fui percebendo que algumas coisas que considerava importantes como, morar num bairro nobre, viajar nas férias para lugares paradisíacos, jantar em bons restaurantes, ter uma família perfeita como num comercial de margarina, trocar de carro a cada 2 ou 3 anos, ter um plano de saúde com acesso aos melhores hospitais, ou seja, viver um padrão de vida elevado, e ainda, ter distinção na sociedade, ser admirado, ter sucesso… eram na verdade parte de um modelo que eu havia aprendido a valorizar. Aprendi isso com a minha família, com meus amigos e amigas, com a nossa cultura, com a publicidade... 

Esse sistema de valores culturais, essencialmente hedonistas, na maior parte das vezes costuma dirigir nossos desejos, influenciar nossos pensamentos e definir nossas escolhas. É difícil ficar fora ou ir contra essas regras sociais explícitas ou implícitas. Aquele que transgride, que se desvia, que sai do padrão, que não segue o pensamento convencional, tende a se sentir um estrangeiro na sua própria casa e muitas vezes é criticado e atacado. Não foi diferente comigo.

Só se vive uma vez

Welcome to the YOLO Economy
por Kevin Roose
NY Times
publicado em abril, 2021


Esgotados e com dinheiro no bolso, alguns profissionais estão deixando empregos estáveis ​​em busca de aventuras pós-pandêmicas, ou pensando em largar o trabalho caso seus chefes não os permitam trabalhar quando e de onde quiserem.





Something strange is happening to the exhausted, type-A millennial workers of America. After a year spent hunched over their MacBooks, enduring back-to-back Zooms in between sourdough loaves and Peloton rides, they are flipping the carefully arranged chessboards of their lives and deciding to risk it all.

Some are abandoning cushy and stable jobs to start a new business, turn a side hustle into a full-time gig or finally work on that screenplay. Others are scoffing at their bosses’ return-to-office mandates and threatening to quit unless they’re allowed to work wherever and whenever they want.

They are emboldened by rising vaccination rates and a recovering job market. Their bank accounts, fattened by a year of stay-at-home savings and soaring asset prices, have increased their risk appetites. And while some of them are just changing jobs, others are stepping off the career treadmill altogether.

If this movement has a rallying cry, it’s “YOLO” — “you only live once,” an acronym popularized by the rapper Drake a decade ago and deployed by cheerful risk-takers ever since. The term is a meme among stock traders on Reddit, who use it when making irresponsible bets that sometimes pay off anyway. (This year’s GameStop trade was the archetypal YOLO.) More broadly, it has come to characterize the attitude that has captured a certain type of bored office worker in recent months.

Pandemia provoca revolução doméstica e cria hábitos que vieram para ficar

por Carolina Giovanelli
O Globo
Agosto 2021



Lá para o final de março do ano passado, boa parte do Brasil se viu recluso em casa por causa de um vírus recém-chegado ao país. Para quem estava acostumado a uma vida agitada, com deslocamentos rotineiros, a quebra de rotina — carregada pelo medo da pandemia — causou um choque. Aqueles que puderam se beneficiar do isolamento enfrentaram questões que partiram do tédio (já arrumei todos os meus armários, e agora?), passando pela solidão (tenho saudades dos meus amigos, e agora?) até chegar às dúvidas existenciais (acho que estou com depressão, e agora?). Depois de muitos divórcios, videochamadas, novos hobbies, sessões de terapia e uma crise sanitária que dura muito mais do que o esperado, as coisas foram se assentando. O que era compulsório ganhou tons voluntários. Parte da turma que torcia o nariz para um modo de vida mais caseiro acabou se acostumando: redescobriu o valor do lar e pretende seguir na toada doméstica.

A casa virou um palco onde os conflitos aparecem com mais frequência, pois não foi possível adiar as soluções de algumas questões internas, analisa o terapeuta Arnaldo Cheixas.

No começo fiquei meio doida, o dia todo em casa, lidar com a família, mas agora estou mais tranquila — diz a artista visual Gabrieli Gama.

Ela deixou a criatividade aflorar. Começou a fazer cliques de si mesma para treinar a fotografia, a praticar exercícios aeróbicos com vídeos no YouTube e a assar pães, este um clássico pandêmico. “Fico uns 15 minutos sovando a massa, desestressando.”

Passar a preparar a própria comida foi um dos hábitos adquiridos nesse período de transformações drásticas que vieram para ficar. O bibliotecário carioca João Marco Luz, de 29 anos, se considera um “crítico” de feijão, mas dos outros, porque nunca havia tido coragem de usar a panela de pressão para preparar o prato. Com o contrato de trabalho suspenso, João, que sabia “no máximo fazer um macarrão”, aproveitou o tempo livre para se aventurar na cozinha. O feijão saiu saboroso. Depois, o rapaz se arriscou na picanha na cerveja, no peixe de forno...

Os Poetas e a Leitura da Realidade

por Dado Salem


“Só é poeta o homem que possui a faculdade de ver os seres espirituais que vivem e brincam em torno dele.” Nietzsche


                                          vista da cabana de Wittgenstein em Skjolden, Noroega

O estudo comparado de mitos indica que houve, logo após a pré-história, uma visão ética comum em toda a humanidade: O ser humano era considerado um microcosmo e deveria viver em harmonia com o macrocosmo. (SCHWARZ, 1985).

 

A consciência dava ao ser humano a possibilidade de perceber a beleza da natureza e do sistema em que estava inserido. Tudo era uma coisa só, tudo estava interconectado. Nada escapava à imensa rede da vida, da qual o homem era apenas um fio. Tudo o que fizesse a esse tecido faria a si mesmo. A consciência diferenciava o homem dos outros seres, mas também dava a ele uma missão: ser o mantenedor, o guardião disso para as gerações seguintes. O ser humano não era dono da terra, ele fazia parte dela, não devia portanto explorar ou mandar na natureza, mas sim respeitá-la, reverenciá-la, aprender com ela para viver bem e em harmonia com os outros seres. O canto e a dança faziam parte do banquete que os homens ofereciam aos deuses para celebrarem a vida, que era considerada uma dádiva. (MUNDURUKU, 2000).

 

No entanto, o poder da consciência também nos oferecia a possibilidade de agirmos como substitutos de Deus ou, de viver de acordo com nossos interesses específicos e particulares. Essa pretensão era considerada em muitas tradições como a decadência do homem, pois isso significaria uma desarmonia do equilíbrio cósmico, um rompimento com as potências que regem o Universo e a nós mesmos, representadas pelas divindades e arquétipos. (SCHWARZ, 1985).

 

No Egito antigo, no Oriente, nas tribos africanas e em todos povos e civilizações pré-Colombianas, os líderes eram seres humanos com uma cosmovisão, uma consciência superior que lhes dava a capacidade de ler e interpretar a ordem que agia como “pano de fundo” da vida. A função deles era transmitir essa visão de mundo para a sociedade e procurar fazer com que todos vivessem de acordo com essas Leis não escritas porque, tudo o que prosperava ou fracassava estava ligado à obediência ou infração delas. Sem essa cosmovisão as coisas tendiam a não ir tão bem. 

Vida Simples


Por volta dos 30 anos de idade optei por uma vida simples, tranquila e saudável, viver com o essencial e dedicar meu tempo a fazer as coisas que me pareciam significativas. As vilas operárias surgiram como locais ideais para morar nos grandes centros. Elas tem as vantagens de uma casa mas não as desvantagens. Há uma vida comunitária natural e genuína, um espírito inclusivo, diferente dos condomínios fortificados e exclusivos.

Esta casa compramos em 2005 no bairro do Horto no Rio de Janeiro, em frente ao Jardim Botânico. Na época era uma região desvalorizada, utilizada como cenário para filmar os núcleos pobres de novelas. Hoje é um dos locais mais valorizados da cidade, pois está dentro e ao mesmo tempo fora da agitação dela. Francisco aprendeu a andar de bicicleta e jogar futebol na rua. 

Este vídeo retrata um pouco esse estilo de vida.  





 

O Cuidado de Si – A Hermenêutica do Sujeito

Por Dado Salem
Julho 2021


O cuidado de si, a arte de viver uma vida significativa, foi tema de um ciclo de palestras de Michael Foucault em Paris em 1982.



Se um gênio aparecesse agora na minha frente e oferecesse a possibilidade de fazer uma viagem no tempo, eu escolheria ir para quarta-feira, dia 6 de janeiro de 1982 em Paris e ficar por lá até 24 de março. Foi quando aconteceram as 12 conferências de Michel Foucault no College de France chamadas Hermenêutica do Sujeito.

Como parte de seu contrato com esta instituição, Foucault tinha que apresentar todos os anos o resultado de seus estudos por meio de 26 horas de aulas abertas. Num anfiteatro para 300 pessoas, se amontoavam cerca de 500 estudantes, professores, curiosos e pesquisadores, que vinham de vários países para ouvir o filósofo. Ao entrar na sala, Foucault, como um acrobata, precisava saltar por cima das pessoas para chegar à mesa, onde ainda teria que abrir espaço entre dezenas de gravadores dos estudantes, para ajeitar suas coisas e organizar seus papéis. Foucault reclamava da situação e da pouca possibilidade de troca com a plateia por conta do formato estabelecido para a conferência. 

O que ele apresentava nessas palestras era um esboço do que depois seria transformado em livro. Neste caso, o conteúdo foi resumido num capítulo do livro O cuidado de si.

Por trás do título enigmático Hermenêutica do Sujeito, Foucault abordou um tema fundamental na antiguidade clássica: o autoconhecimento, traduzido pela famosa frase "conhece a ti mesmo". O filósofo se concentrou principalmente nas práticas que uma pessoa deveria adotar no seu cotidiano para atingir esse objetivo e desenvolver seus potenciais.

Maestria - a arte de se tornar ninguém

por Dado Salem
Junho 2021

Tenho o hábito de escrever para mim mesmo coisas que acho importante lembrar. Releio com alguma frequência para não esquecer. Esse texto escrevi pensando no meu trabalho como facilitador de diálogos e orientador de carreiras. Compartilho porque acho que pode ser útil. 



A maestria é fruto de um longo caminho, uma busca eterna e não é aprendida facilmente.

Há que se render, se entregar ao ofício como um artesão. Se seu objetivo for ganhar dinheiro, então não trilhe este caminho. Existem opções mais lucrativas. Mas se quiser buscar a maestria, aprenda a ter uma vida simples.

É preciso acalmar a mente, deixar de lado os medos e o desejo de sucesso. Uma mente inquieta impede o estado de espírito necessário. Deixe os pensamentos e sentimentos aflorarem, não os reprima, apenas os observe.

Observe e ouça atentamente os seus mestres. Se concentre em fazer bem feito, na vontade de sempre estudar e aprender. Se concentre também na perseverança, porque a jornada é longa, árdua e não faltarão ocasiões para você desistir. Muitos abandonam no meio do caminho. Nem todos têm a disciplina e a força de caráter necessárias para continuar.

O vira-latas e a revolução da Sociedade em Rede

Por Dado Salem
Junho 2021



O vira-latas é o canivete suiço dos cachorros, pau pra toda obra, jack of all trades como dizem os norte-americanos. Criados na natureza urbana, são os lobos do asfalto. De fome não morrem. Sua natureza versátil, múltipla, os faz saber exatamente onde encontrar o que precisam e se reproduzem a valer. A adaptabilidade os torna capazes de sobreviver em realidades distintas.

Em contrapartida, os cães de raça – especialistas em determinadas funções – costumam ser caros, dependentes e ter saúde mais frágil. Isso significa que, se forem tirados de seu ambiente protegido e previsível, se não recuperam sua natureza essencial, é improvável que sobrevivam.

Na transição da Sociedade Industrial, estável e conhecida, para o mundo incerto e cambiante da Sociedade em Rede, diplomas e especializações têm a mesma utilidade que um pedigree para um cão de raça que foi abandonado pelo seu dono e posto na rua.

Na Sociedade em Rede estamos sempre em contato com coisas que não temos domínio. Quando nos apropriamos de um ambiente e achamos que estamos no controle, é justamente quando não podemos relaxar, porque o que é tendência agora, amanhã já está velho. Não há garantia de que o que está funcionando continuará. São várias redes com linguagens diferentes que estão aparecendo… e morrendo. É tudo muito rápido, instável, volátil. A cada dia há uma oportunidade diferente ou nova. 

Escrevendo um currículo

Já escrevi uma centena de currículos com meus clientes. Uma das maiores dificuldades é a linguagem corporativa. Ela consegue tirar toda riqueza e personalidade de um indivíduo, aquilo que o torna quem é. O achatamento do caráter numa folha de papel. Nada mais duro, frio e sem vida que um currículo. É uma pena que essa característica ultrapassada da Sociedade Industrial, que procura encaixotar as pessoas, ainda perdure nas empresas e até mesmo naquelas que se dizem inovadoras. Funciona bem para descrever máquinas, não pessoas.  

A poetisa e ensaísta polonesa Wislawa Szymborska, vencedora do prêmio Nobel de Literatura, captou isso bem no poema que chamou de Escrevendo um currículo.




Escrevendo um currículo
Por Wislawa Szymborska


O que precisa ser feito?
Preencher a ficha de inscrição
e anexar um currículo.

Mesmo que a vida seja longa
o currículo tem que ser curto.

Obrigatória a concisão e seleção dos fatos.
As paisagens são substituídas por endereços,
memórias trêmulas dão lugar a datas inabaláveis.

De todos os seus amores mencione apenas o casamento,
de todos os seus filhos, apenas aqueles que nasceram.

Quem conhece você conta mais do que quem você conhece.
Viagens somente se forem feitas no exterior.
Associações em quê, mas sem por quê.
Honras, mas não como foram conquistadas.

Os 4 atos das Pandemias

Por Dado Salem
Abril 2021



Segundo o historiador da medicina Charles Rosenberg*, epidemias costumam ter quatro Atos, como numa peça de teatro.

No primeiro Ato, que ele chamou de Revelação Progressiva, empresários, comerciantes, politicos e a população em geral relutam em reconhecer a situação por conta da ameaça aos seus interesses e do modo de vida que não gostariam de mudar. O reconhecimento, embora relutante, acaba vindo gradualmente por conta das doenças e do número inegável de mortos. 

O segundo Ato ele nomeou de Gerenciando a Aleatoridade. Trata-se da busca de um acordo coletivo para gerenciar a realidade desanimadora da epidemia. O objetivo é identificar fatores de risco e mudar o comportamento, o estilo de vida. Trata-se de construir uma base lógica para enfrentar o problema. Fechamos o comércio? Deixamos abertas as igrejas? O que fazer com as escolas? Tornamos obrigatório o uso de mascaras? O que dizem os especialistas? Quais são os métodos eficazes de combate à doença? 

O maior erro da história da humanidade

The Worst Mistake in the History of the Human Race
por Jared Diamond
Discover Magazine
1999


O discurso científico dominante diz que evoluímos de uma vida selvagem e bárbara numa natureza hostil, até atingirmos a civilização. 

Mas se ouvirmos os poucos grupos que ainda vivem como caçadores coletores eles nos dizem que nunca existiu a idéia de lugar selvagem na natureza, que a natureza não é perigosa, mas hospitaleira e não é ameaçadora, mas amistosa. E pelo contrário, como uma grande mãe, ela oferece tudo o que precisamos. 

Na passagem da Sociedade Tribal para Sociedade Agrícola o ser humano deixou de pertencer à Terra e a terra passou a pertencer ao ser humano. Essa foi uma das maiores mudanças culturais da nossa história. Textos antigos retratam esse acontecimento como a Queda do Paraíso, quando começamos a ter que trabalhar e tirar o sustento do suor do nosso próprio rosto. 

Jared Diamond, geografo, antropólogo, historiador, ornitólogo e professor da UCLA escreveu esse artigo provocador trazendo evidências de que abandonar o estilo de vida tribal foi um grande divisor de águas e talvez o maior erro da humanidade. 




To science we owe dramatic changes in our smug self-image. Astronomy taught us that our earth isn't the center of the universe but merely one of billions of heavenly bodies. From biology we learned that we weren't specially created by God but evolved along with millions of other species. Now archaeology is demolishing another sacred belief: that human history over the past million years has been a long tale of progress. In particular, recent discoveries suggest that the adoption of agriculture, supposedly our most decisive step toward a better life, was in many ways a catastrophe from which we have never recovered. With agriculture came the gross social and sexual inequality, the disease and despotism, that curse our existence. At first, the evidence against this revisionist interpretation will strike twentieth century Americans as irrefutable. We're better off in almost every respect than people of the Middle Ages, who in turn had it easier than cavemen, who in turn were better off than apes. Just count our advantages. We enjoy the most abundant and varied foods, the best tools and material goods, some of the longest and healthiest lives, in history. Most of us are safe from starvation and predators. We get our energy from oil and machines, not from our sweat. What neo-Luddite among us would trade his life for that of a medieval peasant, a caveman, or an ape?

Home office e a globalização do trabalho

Por Simon Kuper
Financial Times
Março 2021


“Se você pode fazer seu trabalho de qualquer lugar, alguém de qualquer lugar pode fazer seu trabalho.”



A Canadian I know has just started work at a bank in the US. He won’t have to move: he’ll work from home in Toronto and keep paying Canadian taxes. He will earn less than he would in the US, but more than in Canada.

An entrepreneur I know in Paris is recruiting staff in the same spirit. After the pandemic hit, he closed his office and laid off many employees. Now he hires graphic designers in South Africa instead of Paris, getting more experienced people at half the price. He won’t go back to recruiting Parisians.


There has been endless talk of remote workers moving from New York or London to Florida or Sussex. In fact, something more radical is happening: high-skilled jobs are being offshored out of superstar cities to the rest of the world. Like so many changes in this pandemic, what began as an emergency response may solidify into permanence.


The trend towards global remote work predated Covid-19, especially in tech. Companies in Silicon Valley and New York, looking for cheap top-class talent, created teams of developers in India and, later, in Latin America. Then, when the virus prompted mass homeworking, people in all sorts of highly paid professions seized the opportunity to offshore themselves. Again, the effect was probably strongest in tech, where most jobs can be done remotely and the workforce is global: about 71 per cent of tech employees in Silicon Valley were foreign-born, calculated The Seattle Times in 2018.


Australians, New Zealanders and Irish people were among those who brought their jobs home in the pandemic. Countries from Barbados to Estonia created visas to lure remote workers.

A trágica correlação entre conflitos e desastres

Por Dado Salem
Março 2021

No momento em que estamos vivendo o pico da Pandemia no Brasil, vendo que poderíamos ter evitado essa situação mas que o conflito político impediu uma ação coordenada dos governos, multiplicando exponencialmente o número de mortos, fico preocupado com nosso futuro diante das mudanças climáticas que virão.  



Desastres não são decorrentes de acidentes naturais.

Todos os anos vemos acontecer terremotos, furacões, secas, incêndios, vulcões, tsunamis, enchentes, etc. Mas esses eventos naturais, por mais terriveis que sejam, não costumam causar desastres.

Desastres são eventos calamitosos que causam uma ruptura no funcionamento de uma sociedade gerando graves perdas humanas, econômicas, ambientais, etc. e que excedem a capacidade da comunidade resolver sozinha, precisando recorrer ao auxílio externo. A explosão no porto do Líbano é um exemplo, o rompimento da barragem de Mariana é outro recente no Brasil.   

Em geral, quando há um plano de mitigação de riscos, os impactos de acidentes naturais tendem a ser minimizados. Esses eventos só se tornam desastres quando pessoas e o ambiente estão expostas a riscos e os organismos responsáveis e governos negligenciam ou não agem coordenadamente. Aí o resultado tende a ser devastador, multiplicando o número de mortos e gerando graves consequências sociais, econômicas e ambientais. Ou seja, embora muitas vezes desastres tenham causas naturais, eles são resultado da ação humana, ou da sua inação*.

Conflitos políticos são causadores de desastres.

Conflitos acontecem quando dois ou mais grupos não se escutam, não encontram uma maneira construtiva de resolver suas diferenças e atuam no intuito de prejudicar o outro para atingir seus objetivos.

Num país políticamente estável é mais provável que se encontre pacificamente maneiras de resolver problemas e mitigar riscos de acidentes naturais. No entanto, num país onde há conflitos políticos deflagrados e se coloca interesses pessoais e partidários acima do interesse comum, uma ação coordenada é práticamente impossível, o que aumenta muito a probabilidade de ocorrerem desastres. 

Estudar o passado para construir o futuro

Our Gutenberg Moment
Por Marina Gorbis
Stanford Social Innovation Review

Estamos vivendo uma época de tantas transformações que muitas vezes nos sentimos desorientados. Alguns sábios da antiguidade diziam que a história se repete. Aqui vai um exemplo atual de como estudar os acontecimentos do passado pode ajudar a entender para onde estamos indo e mesmo influenciar o futuro. Marina Gorbis, presidente do Institute for the Future, organização sediada em Palo Alto e que presta serviços para muitas empresas no Vale do Silício, escreveu esse interessante artigo que merece ser lido com atenção.





Futurists often have to imagine things that seem impossible today. This is why we have to be as much historians as future thinkers. People are naturally predisposed to think about the future as an extension of today. We tend to assume that many established ways of being and doing are immutable—that they are a part of the natural order of things. It is difficult today, for example, to see how one might live without having a job. It is hard to imagine an alternative economic system beyond capitalism or communism.

Immersing oneself in the past widens the repertoire of what we might consider possible. When we read history, we discover that wage employment—the idea that our labor is a commodity we can sell to others—is a relatively recent concept (about 300 years old). We learn that throughout the span of our human existence, societies and communities have developed many different systems of gifting, transacting, and trading that did not fall into traditional communism-capitalism dichotomy.

In light of today’s spread of “fake news” and debates about post-truth society, I’ve been re-reading the history of the printing press, Johannes Gutenberg’s invention dating back to the mid-1400’s. Probably the most exhaustive exploration of the subject is in Elizabeth Eisenstein's two-volume book The Printing Press as an Agent of Change. In her writings, Eisenstein refers to the “Unacknowledged Revolution” that followed Gutenberg’s invention, which encompassed not only the Protestant Reformation, but also the Renaissance and the Scientific Revolution. Print media allowed the general public to access ideas and information not previously available to them. This in turn led to the growth of public knowledge, and enabled individuals to formulate and share their own thoughts, independent from the church. Hence, new, non-church authorities and influences grew, and the arts and sciences flourished.

Todo futuro tem mau passado

por José Eduardo Agualusa
O Globo 
Fev/2021



Imaginemos que em 1696, poucos meses antes de morrer, o poeta Gregório de Matos tivesse publicado um romance de antecipação política, cuja ação decorresse no início do século XXI. Nesse livro, Matos imaginaria um mundo no qual a escravatura tivesse sido completamente abolida. A compra e venda de pessoas seria ilegal em todos os países. Os habitantes desse tempo futuro olhariam com intenso horror para o passado, aquele distante século XVII, no qual por toda a parte se comerciava gente.

Como é que um livro assim teria sido acolhido pela sociedade da época?

Provavelmente com troça. Eventualmente com susto e incompreensão. Alguns olhariam Gregório com desdém, como se olham os muito ingênuos e os sonhadores ociosos. O poder político acusaria o poeta de pretender subverter a ordem estabelecida. A Santa Inquisição iria acusá-lo de heresia ao sugerir imperfeições morais na Bíblia e nos ensinamentos do senhor Jesus Cristo, que recomendava aos senhores tratar os escravos com respeito e dignidade, mas em nenhum momento foi capaz de compreender que o tal respeito e dignidade só se alcançariam com a abolição completa do sistema escravocrata.

Um exercício como este pode ser útil nos momentos amargos, quando, face a uma nova atrocidade, tendemos a duvidar da evolução moral da sociedade no seu conjunto. Vale também sempre que nos deixamos cair na tentação de julgar personalidades de épocas passadas segundo os valores do presente. É fácil esquecer que o passado já foi futuro. Pensando bem: todo futuro tem mau passado.

São inúmeros os romances de ficção científica que foram capazes de prever avanços tecnológicos, das viagens à Lua à invenção dos robôs, passando pela criação de centrais de energia solar e até de algo semelhante à internet. Já os romances de antecipação política, como “1984”, de George Orwell, ou “Submissão”, do francês Michel Houellebecq, são muito mais raros. Ou então falham de tal forma nas suas previsões que depressa os esquecemos (é o que irá acontecer com “Submissão”). 

A sabedoria dos antigos

por Dado Salem
Jan 2021

                                                                       Nemesis: a Justiça primitiva


Os mitos, vistos hoje como sinônimo de mentira ou histórias para divertir as crianças, contem um profundo conhecimento e grande sabedoria formados por milhares de anos de experiência e observação do funcionamento da vida.

Francis Bacon, a quem se atribui a criação do método científico – o selo de autenticidade que comprova o que consideramos “verdade” no mundo contemporâneo, reconheceu a utilidade desse conhecimento arcaico: “não posso deixar de atribuir um alto valor para a mitologia antiga […] e todo homem, de qualquer erudição, deve prontamente permitir que este método de instrução seja grave, sóbrio ou extremamente útil, e às vezes necessário nas ciências, pois abre uma passagem fácil e familiar para o entendimento humano”.

Na mitologia antiga, a divindade que considero mais importante de ser conhecida e observada é Nemesis, a Justiça primitiva. Venerada por todos mas especialmente temida pelos ricos, poderosos e afortunados, essa deusa era, segundo algumas versões, filha do titã Oceano e da deusa Nix (a noite). Por esse motivo Nemesis agia sem ser percebida, de maneira inconsciente e tinha ao seu lado a inconstância, as mudanças, a imprevisibilidade e as adversidades da vida, que utilizava para castigar aqueles que ultrapassavam o métron, os limites pessoais, e cometiam um descomedimento errando pelo excesso.

Considerada implacável e impiedosa, Nemesis foi amplamente utilizada nas tragédias gregas como a divindade que daria ao protagonista descuidado aquilo que lhe era devido. No mito de Narciso por exemplo, um jovem bonito mas arrogante que desprezava os outros, Nemesis o levou ao lago onde se apaixonou por sua própria imagem e lá morreu. Na Guerra de Troia, Aquiles o principal gerreiro grego, foi punido pelo mesmo princípio por mutilar o corpo de seu arqui inimigo Heitor.

Como o estudo d’Os Lusíadas transformou minha visão de mundo

por Dado Salem
Dez 2020



Se pudesse fazer somente o que gosto, passaria os dias estudando e fazendo esporte junto à natureza, fora dos grandes centros, de preferência no meio de uma floresta, com minha família e alguns amigos por perto. Uma vida quase monástica numa cabana simples de madeira com lareira, internet, um bom equipamento de som e um rio de água limpa ao lado para tomar banho. Foi num lugar parecido com esse que comecei a trabalhar sobre o texto de Os Lusíadas.

A poesia entrou na minha vida por volta dos 25 anos de idade. O que me atraia nesses textos era a capacidade dos poetas de dizerem muita coisa em poucas palavras. Numa sala de espera ou até mesmo no banheiro, era possível captar toda uma idéia, um “universo numa casca de noz”.

Eu gostava de ler obras completas e assim ter uma noção de todo o pensamento do autor, escolher os poemas que gostava, grifar frases e anotar alguns comentários. Por ser mais natural para mim, comecei lendo principalmente poetas de língua portuguesa e espanhola como Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Castro Alves, Manoel de Barros, Vinícius de Moraes, Pablo Neruda, Garcia Lorca, até chegar em Camões. 

Como morei sozinho até os 36 anos, era comum sair para jantar com eles. Levava o livro embaixo do braço e ao invés de conversar com alguém, "ouvia" essa gente me contar coisas sensacionais. Evidentemente me sentia meio esquisito. Quem o vê jantando sozinho com um livro geralmente supõe que você tem algum problema grave. Mas depois da segunda cerveja a conversa com os poetas fluía bem.

No final dos anos 1990, durante o curso de especialização em psicologia na PUC, escolhi como tema analisar Os Lusíadas a partir dos conceitos da Psicologia Analítica. Essa obra me acompanhou durante 6 anos, e o estudo foi aprofundado e concluído na minha dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica em 2006.

Os Lusíadas foi publicado no final do século XVI e se tornou um marco na literatura mundial por retratar uma mudança cultural que nos acompanha desde então. Ele sinalizou o início do Capitalismo. Diferente dos grandes poemas épicos como Ilíada e Odisseia cujos protagonistas eram heróis guerreiros, ou dos contos de cavalaria da Idade Média que enalteciam os heróis cavaleiros, Os Lusíadas têm como figura central um herói empreendedor, que desbravou mares nunca antes navegados para abrir uma rota de comércio com o Oriente. 

A pandemia vista de 2050

por Fritjof Capra e Hazel Henderson
CSR Wire / Fronteiras do Pensamento
Tradução Bruno Mattos

Vamos supor que temos a possibilidade de despertar em 2050 e visualizar o mundo e suas transformações pós-pandemia, já bem definidas. O que temos a dizer sobre o que ocorria no passado, sobre as falhas e condições da humanidade, e quais mudanças seriam percebidas? Esta é a proposta do artigo escrito pelo físico Fritjof Capra e pela futurista Hazel Henderson, juntar indícios que temos com perspectivas imagináveis.



Imagine que estamos em 2050, olhando em retrospecto para a origem e a evolução da pandemia de coronavírus nas últimas três décadas. Extrapolando a partir de eventos recentes, oferecemos o seguinte cenário para essa visão desde o futuro.

Conforme adentramos a segunda metade do século XXI, finalmente somos capazes de interpretar os sentidos da origem e do impacto do coronavírus que atingiu o mundo em 2020 a partir de uma perspectiva evolucionária sistêmica. Hoje, em 2050, olhando em retrospecto para os últimos 30 anos de turbulência em nosso planeta natal, parece óbvio que a Terra assumiu a tarefa de ensinar uma lição à nossa família humana. O planeta nos mostrou a importância primordial de compreendermos nossa situação a partir de sistemas inteiros, identificados por alguns pensadores visionários já em meados do século XIX. Essa maior consciência humana revelou como o planeta funciona de fato, com sua biosfera viva extraindo poder sistemicamente do fluxo diário de fótons de nossa estrela mãe, o sol.

Excesso de confiança é contagiante

Overconfidence Is Contagious
por Joey Cheng, Elizabeth Tenney, Don Moore e Jennifer Logg
Harvard Business Review
Novembro 2020

Organizações que valorizam o comportamento de risco criam um ambiente onde os funcionários alimentam os sentimentos de invencibilidade uns dos outros. As empresas que desejam incentivar a tomada de decisões mais prudentes devem compreender o risco de ter até mesmo alguns funcionários muito autoconfiantes.





Quando o escândalo da Enron estourou em 2001, abalou Wall Street profundamente e deixou milhares de pessoas, que haviam perdido bilhões de dólares em pensões e ações, desiludidas e furiosas. As pessoas ainda se perguntam como a outrora venerada gigante de Wall Street, na época a sétima maior empresa dos EUA, desmoronou quase da noite para o dia.

Então, o que deu errado? A busca por respostas leva consistentemente aos principais executivos da Enron, Jeffrey Skilling e Kenneth Lay, cujos atos massivos de fraude contábil, corrupção e engano encobriram os pontos fracos da empresa até que sua exposição levou à sua queda.

Mas uma análise mais profunda revela a cultura corporativa disfuncional que tornou tudo isso possível. Uma “cultura de arrogância” permeou a organização, e muitos funcionários se sentiam parte de um grupo de elite e acreditavam que eram mais inteligentes do que todos os outros. Essa cultura de bravata levou os funcionários a negociar agressivamente com finanças questionáveis ​​e a assumir riscos crescentes sob a ilusão de invencibilidade.

Auto Compaixão

Você sabe o que é auto-compaixão e quanto ela pode ser útil na sua vida? Kristin Neff pesquisou esse tema por mais de 10 anos e descobriu que a auto-compaixão tem melhores efeitos que uma boa auto-estima. Vale a pena assistir. Você verá que tratar a si mesmo(a) como faria com seu melhor amigo(a) é uma atitude transformadora.

 

Do pensamento mecanicista para o pensamento sistêmico

From Mechanistic to Social Systemic Thinking
Por Russell Ackoff e Kellie Wardman
The Systems Thinker


Estamos vivendo uma grande Revolução, da mesma magnitude da Revolução Agrícola que nos tirou da condição original e da Revolução Industrial que nos conduziu à modernidade. Essas transformações promovem uma profunda transformação na visão de mundo dominante. Para compreender e prosperar na Sociedade em Rede é preciso mudar do pensamento mecanicista para o pensamento sistêmico.  


Each of us has a theory of reality, a concept of the nature of the world which is referred to as our worldview. Our worldview is the cement that holds our culture together; we absorb it by osmosis in the process of acculturation. We are currently in the early stages of a tremendous change in the dominant worldview—a shift in age as large in its implications as the movement from the Middle Ages through the Renaissance to the Machine Age. In order to understand the change we are experiencing we need to look more closely at the philosophies and ideas that have shaped our current view of the world and the shift in thinking that is required as we move from the Machine Age into the Systems Age. To understand the challenges we face requires a historical perspective that traces the evolution of Western thought from the Middle Ages to the present.

Por que postamos? Why We Post?

Esqueça as afirmações de que estamos nos tornando mais superficiais ou mais virtuais por causa das mídias sociais. O que realmente está acontecendo é muito mais interessante. As mídias sociais estão intensamente tecidas nos nossos relacionamentos. Why We Post? é um projeto de pesquisa antropológica global sobre os usos e consequências das mídias sociais.


9 Antropólogos, liderados pela Universidade de Londres, passaram quase um ano e meio vivendo em 9 comunidades diferentes ao redor do mundo pesquisando o papel das mídias sociais no dia-a-dia das pessoas. O resultado é uma pesquisa profunda, com alguns insights surpreendentes. 

Algumas constatações foram:

O dia em que passei um grande constrangimento numa Multinacional

Por Dado Salem


Eu ainda não me sentia muito bem trabalhando com grupos quando fui chamado para facilitar o encontro de uma equipe numa Multinacional. A primeira coisa que fiz foi convidar um psicólogo experiente para me acompanhar.

Sabia que nessas dinâmicas poderiam surgir coisas complicadas, inesperadas, não planejadas e principalmente das quais o grupo não tem consciência. O grande trabalho é saber lidar com os conteúdos que emergem.

Era um grupo de 9 executivos de múltiplas nacionalidades, muito produtivos e eficientes, espalhados pelos 5 continentes que se encontravam apenas uma vez ao ano para confraternizar. “O grupo vai bem, não temos problema algum”, brifou a executiva que contratou o trabalho. “Realizamos um encontro anual e gostaríamos de incluir um trabalho de Team Building”. O programa precisava ser conduzido em inglês. 

Nunca gostei desse termo Team Building. Talvez pelo fato de um time ser uma coisa fechada e ver o outro como um inimigo, um adversário a ser batido. Numa organização isso pode ser perigoso, especialmente se não houver olhar para os outros interessados, stakeholders na linguagem corporativa.

Esses executivos eram compradores de um insumo fundamental para a Organização. 

Neste evento realizamos uma série dinâmicas tradicionalmente utilizadas com grupos. Numa das últimas tarefas que meu amigo psicólogo propôs, fiquei um pouco preocupado, mas por algum motivo me faltou força para falar “não”. Intui que fosse dar merda, e deu.

Um dos casos mais interessantes e surpreendentes de mediação que atendi.

Foi em 2010 numa co-mediação com uma psicanalista argentina chamada Magdalena Ramos. Magdalena é uma figura emblemática, uma das grandes mestras da Psicologia de Família. Teve que sair fugida de seu país nos anos 1970 por conta da perseguição política. Uma perda para a Argentina, mas um ganho para o Brasil. Magdalena foi responsável por criar o primeiro programa de Psicanálise de Família na PUC-SP. Esse atendimento virou um artigo chamado – Mediação: um caso clínico e foi publicado no livro A violência doméstica e a cultura da paz

Escrevemos esse artigo pensando em fazer uma introdução simples e clara sobre o tema, pois na época ainda se confundia a palavra Mediação com Meditação. Em seguida relatamos nossa experiência.



Mediação: um caso clínico

Por Magdalena Ramos e Dado Salem


Histórico da Mediação

Antigamente o mediador tinha, a importante função de ajudar a recuperar a saúde física e psíquica das pessoas, re-estabelecendo a conexão entre o indivíduo e o cosmos. Era uma espécie de ponte (pontífice) que eliminava a separação entre os homens e os deuses, e trazia consciência às pessoas. Essa relação entre religião e mediação pode ser observada em várias tradições. Na cultura judaica por exemplo, até hoje os rabinos desempenham o papel de mediadores em diversos tipos de conflitos. Moore (1998) observou a mesma conexão em culturas islâmicas, hinduístas e budistas.

Diferentes práticas e modelos de mediação surgiram pelo mundo, mas todos com o mesmo princípio: re-aproximar o indivíduo do “outro”, seja este “outro” uma pessoa, um grupo, a sociedade ou o mundo.

A mediação como a entendemos hoje surgiu nos Estados Unidos na década de 1970. Teve uma divulgação muito rápida devido aos bons resultados atingidos e foi incorporada ao sistema legal americano. Em vários estados a mediação passou a ser um processo obrigatório sendo exigido como uma instância prévia antes de se poder abrir um processo judicial. Esta medida foi e continua sendo importante pois, em muitos casos, evita o desgaste e a morosidade inerentes aos processos jurídicos.

No final da década de 1970 a mediação teve o seu ingresso na Inglaterra. Em 1976 foi criado o Centro de Mediação Familiar, pioneiro na atuação da esfera familiar. Uma característica deste país é que a prática da mediação está nas mãos dos assistentes sociais. Na França, a mediação começou no direito público e passou em seguida ao setor privado. 

Apesar da mediação estar associada ao sistema judiciário como uma forma alternativa de resolução de conflitos, seu campo é muito mais amplo. Ela pode ser utilizada em escolas, empresas, em grupos familiares, em problemas ambientais, etc. A mediação pode atuar em todas as situações em que duas ou mais pessoas ou grupos, estejam se relacionando e vivendo situações de conflito.

A mediação familiar no Brasil teve início nos anos 90. Isso possibilitou que situações de conflito entre casais e problemas referentes à guarda de filhos pudessem ser resolvidos de forma mais rápida e eficiente. 

Os perigos do líder centralizador

Repost de 2012
por Dado Salem



Sabemos que tomar uma decisão sozinho é mais fácil que em grupo. O Psicólogo José Ernesto Bologna costumava dar o seguinte exemplo: se você quiser ir ao cinema basta entrar na internet, escolher o filme e comprar o ingresso. Agora tente fazer isso num grupo de 8 pessoas. Um prefere drama, outro filme europeu, um terceiro não pode naquele horário, um quarto já assistiu o filme, e por ai vai. Essa simples tarefa pode demorar horas e provocar muita discussão. 

Mas quando falamos de decisões complexas a coisa pode ser bem diferente.

Um estudo conduzido pelo psicólogo Patrick Laughlin (*) na Universidade de Illinois nos EUA revelou que grupos conseguem resolver problemas melhor que indivíduos. Segundo ele, os resultados obtidos por um grupo trabalhando cooperativamente costumam ser melhores que o mais eficiente membro do grupo trabalhando sozinho.

É comum um líder experiente e confiante deixar de ouvir membros de seu grupo quando precisa tomar uma decisão importante. Muitos são naturalmente centralizadores e narcisistas. Outros acabam se sentindo obrigados a agir desse jeito, sob a cobrança de que são pagos para tomar decisões e resolver questões complexas, se não fosse assim acreditam que seriam dispensáveis. Essa atitude costuma ser reforçada por membros de equipes que tendem a não querer assumir responsabilidades e a confiar no chefe para resolver problemas.

Cicatrizes psicológicas de crises podem impactar a economia por décadas

Psychological scars of downturns could depress growth for decades
The Economist
Aug 29th 2020


A visão que temos do futuro impacta nossas atitudes que por sua vez ajudam a criar o futuro. Situações traumáticas como a Pandemia do Covid-19 deixam cicatrizes emocionais que podem ter consequências econômicas durante décadas. É a hora dos governos e ministérios da economia ampliarem suas caixas de ferramentas e atuarem mais como psicólogos.




For the past 40 or so years, economists, central bankers and other eminences have gathered against the imposing backdrop of Wyoming’s Teton mountains every August, in order to chew over the great monetary challenges of the day. Not this year. As The Economist went to press the proceedings of the Jackson Hole symposium, organised by the Federal Reserve Bank of Kansas City, were unfolding online, thanks to covid-19. Those tuning in are all too aware of the economic damage wrought by the pandemic. But the headaches are only beginning. As one of the papers due to be presented at the conference explains, covid-19 is likely to reshape people’s beliefs about the world in ways that will complicate the already daunting task of restoring beleaguered economies to health.

The notion that a severe economic shock might do long-run damage is not new. Since the Depression macroeconomists have understood that deep downturns might tip an economy into a “liquidity trap”, in which interest rates fall to zero and monetary policy cannot easily provide a stimulating kick. Without a powerful dose of fiscal stimulus, the economy stays mired in a slump. Or a brutal recession may lead to “hysteresis” in the labour market, causing, say, a lasting increase in the unemployment rate. People out of work for long spells may become so disconnected from the labour market, as their skills and motivation erode, that even when demand recovers they struggle to find jobs. (In the 1980s Olivier Blanchard of the Massachusetts Institute of Technology and Lawrence Summers of Harvard University argued that this explained why unemployment was much higher in Europe than in America.) Both sorts of scarring could restrain economies as they leave the shadow of the pandemic.

Yet research also suggests that traumatic economic episodes can exert a drag on growth simply by altering people’s beliefs about the future. For example, Ulrike Malmendier of the University of California, Berkeley, and Leslie Sheng Shen of the Federal Reserve studied consumption patterns in the aftermath of downturns and find that periods of economic hardship and spells of unemployment tend to depress people’s consumption for some time, even after controlling for income and other variables. Consumers not only spend less but tend to opt for lower-quality or discounted items. Young people are especially affected, potentially prolonging the dampening effect on the economy. Pandemics unquestionably count as potentially scarring economic traumas. In one recent study of 19 of them, going back to the 14th century, Òscar Jordà, Sanjay Singh and Alan Taylor of the University of California, Davis, conclude that such outbreaks depress real rates of return for decades. They find that rates decline, on average, for about 20 years, and do not return to their previous level for 40 years. This effect, they speculate, could reflect the human toll exacted by past pandemics, which shrank the workforce and reduced the return on new capital investment. But they also reckon that an increase in saving by wary households could have a depressing effect.

O homem da antiguidade - a sociedade como sistema interdependente de troca de talentos e a realização de si.

Por Dado Salem


Sociedades são construidas porque não somos auto-suficientes. Precisamos uns dos outros para suprir o essencial da vida. Partindo das nossas necessidades mais simples como alimentação, moradia e vestuário, desde tempos imemoriais o ser humano foi se especializando ao invés de fazer sozinho tudo o que necessita para viver. Platão descreve isso muito bem no Livro 2 da República .

As profissões de ferreiros, carpinteiros, agricultores, construtores, oleiros, pastores, comerciantes, guardiões, músicos, medicos, profesores e artifices de uma infinidade de produtos, existem desde muitos milênios antes de Cristo. Juntos representam um complexo sistema interdependente, complementar e cooperativo de troca de talentos que formaram as civilizações.

Curiosamente a palavra Talento tinha o duplo sentido de aptidão e dinheiro. O Talento foi provavelmente a mais antiga unidade de trocas comerciais que se tem notícia. Em 4000 antes de Cristo na Mesopotamia o Talento foi introduzido como uma unidade de peso e foi posteriormente adotado por Sumérios, Babilonios, Fenícios e Hebreus. Na Grécia antiga, onde essa unidade também foi adotada, um Talento representava o valor em ouro de um boi .  

As palavras têm histórias multi-milenares e muitas vezes para compreender seu sentido original é necessário reconstruir o contexto histórico.

Segundo a cultura da época, a Natureza tem uma racionalidade e todo ser humano nasce com inclinações para desempenhar determinada atividade. Deveria portanto seguir essa razão e se esforçar para desenvolver seus talentos ao máximo a fim de executar aquela função com perfeição, desta forma, sendo quem nasceu para ser, atingiria uma vida plena e realizada. Tinham como ideal que se toda cidade se relacionasse dessa forma, chegariam à plenitude individual e coletiva.

Identidade e Self

por Dado Salem


Quem sou eu? 

Diante de um ET me identifico como um ser da Terra. Nesse sentido estou ligado a tudo o que existe no nosso planeta. Os átomos que formam meu corpo, os elementos químicos, minerais e vegetais em meu organismo tem origem na Biosfera (1). Comparando com outros tipos de existência, sou do Reino animal. Compartilho com uma formiga e uma onça a estrutura de cabeça, tronco e membros e a capacidade de me mover. Diante das outras espécies sou um ser humano, tenho características biológicas e psicológicas profundas iguais a todos os seres humanos (2). Festejo o ano novo com esperança, sinto amor pelos meus amigos, tenho senso de justiça, busco fazer o meu melhor, atuo como pai, como filho, como marido, como profissional e uma série de outros papéis aos quais todos nós somos convidados a atuar sem que muitas vezes percebamos. Entre os seres humanos me identifico como sendo do sexo masculino. Há coisas que as mulheres não compreendem a nosso respeito, como por exemplo por que não conseguimos acertar a mira na privada e por isso levantamos a tábua, sendo que na maioria das vezes a esquecemos levantada, coisa que irrita algumas terrivelmente. Diante dos humanos de outros continentes sou Latino Americano. Tenho características que um Asiático não possui, rapidamente saberia identificar um Europeu recém chegado. Na África me reconheceriam como um gringo. Tenho um quê que todo brasileiro tem, basta cruzar a fronteira com a Argentina que logo sou percebido. Nasci em São Paulo e vivo no Rio de Janeiro, carrego em mim algo dessas duas cidades. Se eu for para o Sul ou para o Norte isso se torna evidente para um local. Moro no Jardim Botânico mas sou um estrangeiro em Ramos e na Rocinha. Participo do grupo de natação dos Gladiadores no Posto 6 em Copacabana. Torço pro Flamengo e participo de tantos outros grupos, como todos nós temos gravadas coisas que são exclusivas dos coletivos aos quais pertencemos. Sou membro das minhas famílias, diferentes umas das outras, mas tenho comportamentos típicos delas, os que eu noto e os que nem percebo. Tenho semelhanças com meu pai e minha mãe, sou filho do meio por parte de pai e caçula por parte de mãe. Mas também sou irmão e o filho homem mais velho. Desempenho cada um desses papéis dependendo da situação. Tenho portanto multiplas identidades dependendo da posição em que me encontro (3). 

Mas então finalmente eu estou no meu quarto, sozinho. Eu sou eu. Diferente de qualquer outra pessoa que existe, que já existiu e que existirá. Sou um homem típico do meu tempo, mas diferente de todos os outros. Eu sou minhas circunstâncias. Alguns dizem que nascemos como uma Tabula Rasa, que somos formados por tudo que acontece em nossas vidas. Concordo e discordo dessa idéia. Tininha me contou que percebeu assim que colocou no colo cada filho recem saido de sua barriga, que eram totalmente diferentes. De onde vem isso? Há quem fixe essa reflexão no nível biológico. Normal para quem tem uma visão biológica das coisas. Mas há outras formas de entendimento. Minha reflexão se situa entre a filosofia antiga, a psicologia, e outras ciencias humanas. Por que escolhi essa forma de ver as coisas e não outra? Por que tenho mais facilidade para olhar o mundo desse ponto de vista e quando uso essas lentes as coisas fazem sentido para mim? Por que dentre uma infinidade de possibilidades que me cercam algumas fazem sentido e outras não? De onde vem minhas preferências e inclinações? 

Encontrei uma explicação que me tocou no conceito antigo de Pathos, termo usado pelos gregos para nomear as emoções. Pathos é uma potência capaz de agitar a mais profunda instância do ser humano, uma inclinação natural influenciadora de nossas decisões e ações que tem como finalidade nos desenvolver e realizar. Funciona como uma bússola eficiente quando trabalhado em conjunto com o Logos, a razão.

Por outro lado, se deixado sem controle, Pathos pode se transformar em força destrutiva, nas paixões que os estóicos e cristãos consideraram posteriormente como vícios, ou nas doenças que a modernidade trata como patologias (4). 

Interdependencia, complementariedade e necessidade de coperação






Conviver com pessoas diferentes em termos raciais, religiosos, econômicos, políticos etc... é o desafio mais urgente enfrentado pela sociedade hoje. Temos a tendência de evitar o envolvimento social com pessoas que diferem de nós mesmos, como cães que latem para desconhecidos. Este livro examina por que isso aconteceu e o que podemos fazer para mudar.

Sennet lecionou durante muitos anos na London School of Economics (LSE) e no New York Institute of Humanities (NYU).

Sabendo tirar proveito da Pandemia





Fiz com minha família um pequeno grupo de leitura da Peste de Camus. Foi uma forma de elaborar e até mesmo tirar proveito da pandemia. Lemos cerca de 20 páginas por dia e à noite, no jantar, discutimos o texto. O primeiro a falar sempre foi meu filho Francisco, o mais jovem, depois eu e seguimos por ordem de idade crescente deixando as mais sábias por último. Foi uma experiência maravilhosa e Francisco gostou tanto que pediu para continuar. Escolhemos o próximo livro. Vamos dar alguns dias de intervalo para assimilar o texto e partiremos para Macbeth de Shakespeare.

Krenak e Gleiser, Conhecimento e Sabedoria




Esse Webinar será lembrado como um dos mais importantes dessa quarentena. Ailton Krenak e Marcelo Gleiser foram postos frente a frente para dialogar sobre a Natureza do ponto de vista das Civilizações Tradicionais e da Civilização Contemporânea. Marcelo Gleiser começa perguntando, "por que para as culturas indígenas a Natureza é Sagrada?". Ailton rebate com "como chegamos à idéia de humanos e Natureza separados?".

Conhecimento e Sabedoria são postos frente a frente. Um mostra o quanto a Ciência nos fez aprender sobre o funcionamento do Universo. O outro mostra como são infantis a busca da imortalidade, a conquista espacial e toda a ciência que não é acompanhada de Ética e Sabedoria.

Países liderados por mulheres se destacam no combate à Covid-19

Precisamos de mais mulheres em posições de liderança. A crise do Coronavírus é um exemplo de como o mundo pode se beneficiar por ter mulheres no poder. Alguns pontos a favor delas são a ética, honestidade, habilidade de construir redes de relacionamento, capacidade de trabalhar de forma colaborativa, pensar no todo e de forma mais ampla, compreender a complexidade, maior capacidade de resolver problemas, maior educação formal, expressar sentimentos, entre outros... É hora de sairmos do padrão masculino de inteligência cega que domina a economia e a politica.

Por Ana Rosa Alves
O Globo
Abril 2020

Com ação rápida e científica, países liderados por mulheres se destacam no combate à Covid-19. Taiwan, Nova Zelândia, Alemanha e países nórdicos estão entre nações com mais sucesso na contenção da pandemia.



Não há uma resposta global unificada à Covid-19, com países tendo diferentes níveis de sucesso no combate à doença. É consenso, no entanto, que Taiwan, Nova Zelândia, Alemanha e alguns países nórdicos estão entre as nações mais eficientes em controlar a pandemia em seus territórios. Com tamanhos, culturas e em continentes diferentes, elas têm algo em comum entre si: são governadas por mulheres.

Segundo a ONU, as mulheres ocupam apenas 7% dos cargos de liderança globais, algo que chama ainda mais atenção para seu sucesso que na contenção do vírus. Isto deve-se, em maior parte, a intervenções rápidas, baseadas em argumentos científicos, testes em massa, medidas de isolamento efetivas e transparência com a população.


Dia 40 da quarentena



Hoje faz um mês que estamos confinados! Graças a Deus estamos bem. Vamos continuar assim mais um tempo, é preciso paciência. Foi a primeira vez que a quaresma coincidiu com a quarentena. Se o número 40 for realmente mágico nesse sentido da transformação, dentro de alguns dias devemos começar a ver mudanças nas nossas vidas e na sociedade.

Vamos ficar atentos aos sinais de Renascimento, Mudança, Transformação, Passagem, Vida Nova.

Boa Páscoa!

Como as pessoas reagirão à nova crise econômica?

Por Stephanie Pappas
American Psychological Association
Abril 2020

Pesquisas psicológicas realizadas em em crises financeiras passadas oferecem pistas de como as pessoas reagirão à calamidade econômica causada pela pandemia do Coronavirus



The COVID-19 crisis has shuttered businesses and led to massive numbers of layoffs nearly overnight. As of April 2, Americans filed a record-breaking 6.6 million unemployment claims in one week, according to the Department of Labor (PDF, 743KB). The U.S. Federal Reserve estimated that 47 million people might lose their jobs in the second quarter of 2020, translating to a 32.1% unemployment rate. That would far overshoot the peak unemployment rate of the Great Recession (10% in October 2009, according to the Bureau of Labor Statistics) and even of the Great Depression (24.9% in 1933).

Despite differences between this economic crisis and previous recessions, psychological research can provide some insight into the behavioral and mental health impacts of financial loss. Key findings include:

Como se tornar resiliente

How People Learn to Become Resilient
Por Maria Konnikova
The New Yorker
Fevereiro, 2016

Todos nós temos ferramentas para lidar com adversidades, no entanto, algumas pessoas lidam muito melhor do que outras. Nesse artigo, Maria Konnikova entrevistou alguns pesquisadores que responderam quais são as melhores formas de lidar com experiências desafiadoras.




Norman Garmezy, a developmental psychologist and clinician at the University of Minnesota, met thousands of children in his four decades of research. But one boy in particular stuck with him. He was nine years old, with an alcoholic mother and an absent father. Each day, he would arrive at school with the exact same sandwich: two slices of bread with nothing in between. At home, there was no other food available, and no one to make any. Even so, Garmezy would later recall, the boy wanted to make sure that “no one would feel pity for him and no one would know the ineptitude of his mother.” Each day, without fail, he would walk in with a smile on his face and a “bread sandwich” tucked into his bag.

The boy with the bread sandwich was part of a special group of children. He belonged to a cohort of kids—the first of many—whom Garmezy would go on to identify as succeeding, even excelling, despite incredibly difficult circumstances. These were the children who exhibited a trait Garmezy would later identify as “resilience.” (He is widely credited with being the first to study the concept in an experimental setting.) Over many years, Garmezy would visit schools across the country, focussing on those in economically depressed areas, and follow a standard protocol. He would set up meetings with the principal, along with a school social worker or nurse, and pose the same question: Were there any children whose backgrounds had initially raised red flags—kids who seemed likely to become problem kids—who had instead become, surprisingly, a source of pride? “What I was saying was, ‘Can you identify stressed children who are making it here in your school?’ ” Garmezy said, in a 1999 interview. “There would be a long pause after my inquiry before the answer came. If I had said, ‘Do you have kids in this school who seem to be troubled?,’ there wouldn’t have been a moment’s delay. But to be asked about children who were adaptive and good citizens in the school and making it even though they had come out of very disturbed backgrounds—that was a new sort of inquiry. That’s the way we began.”

Notas do isolamento

The Economist
Notes on isolation, from those who know it well.
Abril 2020

A astronauta Helen Sharman reflete sobre o lockdown e faz associações com o tempo em que ficou na estação espacial MIR.



In 1991 I became the first British astronaut to go into space. I had chosen to put myself in a small spacecraft with only a few other people, an event we planned and trained for over many months. The circumstances are different from those under lockdown, but there are similarities too: uncertainty, self-isolation and social distancing.

A lot of my mental adjustment to being in a confined space station involved acceptance. On the Mir space station I had planned for it so I was comfortable with the situation from the beginning, but I’m feeling the same thing right now. It's important to understand why we are doing this, to accept the situation, realise it could always be worse and that it will get better.

When I was in space, Mission Control scheduled my days to the minute. Every evening the information they sent would come out like a fax machine, a long thin bit of paper telling me exactly what time I should get up, when I should eat, what experiments I should do and when. I didn’t mind – it was efficient – but I did get comfort from the small things that I could control, like what juice I drank and the time after dinner when I really could do whatever I wanted. Now my days are restricted like everyone else – my speaking engagements have been cancelled and my work for Imperial College London is moving online – but I still take pleasure in the small things; deciding my morning run and what path I take. I remember that lesson from space, letting go of what you can’t control and focusing on what you can. We have all been told to stay at home – but we can still decide how we use our time.

Dicas com melhores práticas para Home Office

Num momento em que estamos todos tendo que trabalhar de casa, aqui vão algumas dicas úteis para que o home office seja uma experiência boa e produtiva.


O confinamento pode nos ajudar a fazer um detox de nosso modo de vida

Por David Le Bailly e Sylvain Courage
L'OBS
Março 2020



Le sociologue et philosophe analyse la crise sanitaire mondiale.
« Cette crise nous montre que la mondialisation est une
interdépendance sans solidarité », explique-t-il.

Quel est, à ce stade, le principal enseignement que l’on puisse tirer de la pandémie du coronavirus ?

Cette crise nous montre que la mondialisation est une interdépendance sans solidarité. Le mouvement de globalisation a certes produit l’unification techno-économique de la planète, mais il n’a pas fait progresser la compréhension entre les peuples. Depuis le début de la globalisation, dans les années 1990, guerres et crises financières ont sévi. Les périls planétaires – écologie, armes nucléaires, économie déréglée – ont créé une communauté de destin pour les humains, mais ceux-ci n’en ont pas pris conscience. Le virus éclaire aujourd’hui de manière immédiate et tragique cette communauté de destin. En prendrons-nous enfin conscience ? Faute de solidarité internationale et d’organismes communs pour prendre des mesures à l’échelle de la pandémie, on assiste à la fermeture égoïste des nations sur elles-mêmes.


Dans son discours, le président Macron parle du danger d’un « repli nationaliste »...

Pour la première fois, c’est un vrai discours de président. Il n’y était pas seulement question de l’économie et des entreprises mais aussi du sort de tous les Français, des soignés et des soignants, des travailleurs acculés au chômage partiel. Son allusion au modèle de développement qu’il faudrait changer est une amorce. Cela dit, l’antidote au repli nationaliste n’est pas le repli européen, puisque l’Europe est incapable de s’unir là-dessus ; c’est la formation de solidarités internationales, commencées par les médecins et chercheurs de tous les continents.


Superando obstáculos

Por Dado Salem
Março 2020

A quarentena forçada é uma ótima oportunidade para fazer mudanças importantes em nossas vidas. Afinal, quando foi que o mundo parou e tivemos tempo para refletir?



Podemos usar esse tempo para fazer um balanço e nos permitir imaginar uma vida prazerosa e desejada. Porém, na hora de sair do mundo das idéias e pensar na execução, imediatamente surgirão múltiplos obstáculos: financeiros, culturais, familiares, físicos, sociais, psicológicos, políticos, emocionais, etc.

Quando a vida retomar, se não mudarmos algo dentro de nós, teremos de volta os problemas que sempre nos impediram realizar aquilo que sonhamos e mais alguns que estão sendo colocados no nosso caminho agora.

No entanto, se observarmos a natureza como fizeram os Estóicos e os Taoistas, aprenderemos com a água que os obstáculos estão aí para serem contornados. Ela corre morro abaixo sempre encontrando uma maneira de seguir seu caminho.

Não temos controle sobre o que nos acontece, mas podemos controlar a forma como respondemos aos fatos. Os Estóicos tinham uma máxima chamada Amor Fati, ame os fatos, ame a realidade. Ela está aí. Não adianta ficar reclamando, colocando a culpa em alguém ou se sentir incapaz de realizar o que deseja. Temos a tendência natural a ficar paralizados ou desistir diante de monstros que são os obstáculos. O obstáculo não está no caminho, ele é o caminho! A pergunta é, como vamos fazer para superá-lo?

Intervalo - como tirar proveito da quarentena

Por Dado Salem
Março 2020



Estamos diante de um bloqueio. Fomos obrigados a uma parada forçada por fatores que estão além do nosso controle. Não é momento propício para qualquer iniciativa. É hora de descansar e fazer trabalhos internos, coisas simples como cuidar da casa, cozinhar, lavar pratos, ficar com a família, ler, assistir filmes… É também um excelente momento para refletir sobre nossa propria vida.

É como se um tempo do jogo tivesse terminado, um intervalo para descansar e refletir. Já vivemos muito e temos muito a viver. Daqui a pouco retomaremos. Mas de que forma?

Como foi sua vida até aqui? O que deu certo e o que não está funcionando? A coisa mais importante do intervalo é arrumar o que não está bom. É uma tarefa difícil mas fundamental se quisermos uma vida melhor. É hora de resolver problemas antigos, desavenças, ressentimentos, pedras que estão há tempos no sapato nos incomodando. Pare de remoer o passado. Resolva esse problema de uma vez por todas que a vida ficará mais leve e o futuro se abrirá com mais clareza.

Fórmula infalível para vencer na vida

Por Dado Salem
Março 2020


Em primeiro lugar procure um ambiente fértil. Um espaço onde você pode aprender uma coisa que te interessa. Não importa o assunto. Onde estão as melhores pessoas dessa área? Pode ser a música, o esporte, medicina, engenharia, letras, artes… Se aproxime dessas pessoas. Onde elas moram? por onde andam? onde trabalham? de quais feiras e congressos participam? que bares frequentam? Não é necessário ter dinheiro. Peça emprego como garçom ou garçonete mas fique perto dessas pessoas. Em pouco tempo estará amigo delas. Quer trabalhar no mercado financeiro? Peça emprego como officeboy na melhor instituição do ramo.

Estude, leia tudo a respeito desse tema. Procure no Youtube, Instagram e pela internet em geral, há muita informação gratuita. Quais autores os especialistas recomendam? Em quais jornais publicam? Leia-os. Siga essa gente nas Mídias Sociais.

Pratique. Dedique seu tempo ao assunto que te interessa. Aprofunde-se nele. Treine como um atleta, mas com inteligência para não exagerar e cansar.

O futuro é daqueles que fazem acontecer promovendo a felicidade

Can We Be Happier? — yes, but it’s not about wealth or GDP
Por Rana Foroohar
Financial Times
Fevereiro 2020

A felicidade requer menos dinheiro do que pensamos. Ela depende mais da nossa saúde mental, dos nossos relacionamentos, de um bom trabalho e de confiarmos na sociedade. Por outro lado, ter um chefe chato e trabalhar com pessoas difíceis atrapalha muito. Este estudo mostra que o futuro está aberto para os líderes que fazem as coisas acontecerem promovendo a felicidade.




Richard Layard’s manifesto for wellbeing urges us to focus on trust and relationships

The election of Donald Trump — and the prospect of his re-election — has been credited to everything from institutionalised racism in America to rising inequality.

But according to Richard Layard, founder and former director of the Centre for Economic Performance at the London School of Economics, the answer is simpler — it’s about happiness. If you look across the 3,096 US counties that participated in the 2016 election, votes for Trump were better explained by the average level of happiness in the county (self-reported, a measure that is apparently quite accurate) than by its unemployment, income or growth rate.

By this calculation, Democrats wishing to prevent Trump 2 would do best to focus on which candidate will make the most people happy, rather than the policy particulars of tax, healthcare or foreign policy. Of course, the latter can help facilitate the former, which is the one of the messages that Layard pushes in his interesting (albeit overly sweeping) look at the new science of happiness and how we can harness it to improve ourselves, our relationships and our societies.