Por que postamos? Why We Post?

Esqueça as afirmações de que estamos nos tornando mais superficiais ou mais virtuais por causa das mídias sociais. O que realmente está acontecendo é muito mais interessante. As mídias sociais estão intensamente tecidas nos nossos relacionamentos. Why We Post? é um projeto de pesquisa antropológica global sobre os usos e consequências das mídias sociais.


9 Antropólogos, liderados pela Universidade de Londres, passaram quase um ano e meio vivendo em 9 comunidades diferentes ao redor do mundo pesquisando o papel das mídias sociais no dia-a-dia das pessoas. O resultado é uma pesquisa profunda, com alguns insights surpreendentes. 

Algumas observações são:

O dia em que passei um grande constrangimento numa Multinacional

Por Dado Salem


Eu ainda não me sentia muito bem trabalhando com grupos quando fui chamado para facilitar o encontro de uma equipe numa Multinacional. A primeira coisa que fiz foi convidar um psicólogo experiente para me acompanhar.

Sabia que nessas dinâmicas poderiam surgir coisas complicadas, inesperadas, não planejadas e principalmente das quais o grupo não tem consciência. O grande trabalho é saber lidar com os conteúdos que emergem.

Era um grupo de 9 executivos de múltiplas nacionalidades, muito produtivos e eficientes, espalhados pelos 5 continentes que se encontravam apenas uma vez ao ano para confraternizar. “O grupo vai bem, não temos problema algum”, brifou a executiva que contratou o trabalho. “Realizamos um encontro anual e gostaríamos de incluir um trabalho de Team Building”. O programa precisava ser conduzido em inglês. 

Nunca gostei desse termo Team Building. Talvez pelo fato de um time ser uma coisa fechada e ver o outro como um inimigo, um adversário a ser batido. Numa organização isso pode ser perigoso, especialmente se não houver olhar para os outros interessados, stakeholders na linguagem corporativa.

Esses executivos eram compradores de um insumo fundamental para a Organização. 

Neste evento realizamos uma série dinâmicas tradicionalmente utilizadas com grupos. Numa das últimas tarefas que meu amigo psicólogo propôs, fiquei um pouco preocupado, mas por algum motivo me faltou força para falar “não”. Intui que fosse dar merda, e deu.

Um dos casos mais interessantes e surpreendentes de mediação que atendi.

Foi em 2010 numa co-mediação com uma psicanalista argentina chamada Magdalena Ramos. Magdalena é uma figura emblemática, uma das grandes mestras da Psicologia de Família. Teve que sair fugida de seu país nos anos 1970 por conta da perseguição política. Uma perda para a Argentina, mas um ganho para o Brasil. Magdalena foi responsável por criar o primeiro programa de Psicanálise de Família na PUC-SP. Esse atendimento virou um artigo chamado – Mediação: um caso clínico e foi publicado no livro A violência doméstica e a cultura da paz

Escrevemos esse artigo pensando em fazer uma introdução simples e clara sobre o tema, pois na época ainda se confundia a palavra Mediação com Meditação. Em seguida relatamos nossa experiência.



Mediação: um caso clínico

Por Magdalena Ramos e Dado Salem


Histórico da Mediação

Antigamente o mediador tinha, a importante função de ajudar a recuperar a saúde física e psíquica das pessoas, re-estabelecendo a conexão entre o indivíduo e o cosmos. Era uma espécie de ponte (pontífice) que eliminava a separação entre os homens e os deuses, e trazia consciência às pessoas. Essa relação entre religião e mediação pode ser observada em várias tradições. Na cultura judaica por exemplo, até hoje os rabinos desempenham o papel de mediadores em diversos tipos de conflitos. Moore (1998) observou a mesma conexão em culturas islâmicas, hinduístas e budistas.

Diferentes práticas e modelos de mediação surgiram pelo mundo, mas todos com o mesmo princípio: re-aproximar o indivíduo do “outro”, seja este “outro” uma pessoa, um grupo, a sociedade ou o mundo.

A mediação como a entendemos hoje surgiu nos Estados Unidos na década de 1970. Teve uma divulgação muito rápida devido aos bons resultados atingidos e foi incorporada ao sistema legal americano. Em vários estados a mediação passou a ser um processo obrigatório sendo exigido como uma instância prévia antes de se poder abrir um processo judicial. Esta medida foi e continua sendo importante pois, em muitos casos, evita o desgaste e a morosidade inerentes aos processos jurídicos.

No final da década de 1970 a mediação teve o seu ingresso na Inglaterra. Em 1976 foi criado o Centro de Mediação Familiar, pioneiro na atuação da esfera familiar. Uma característica deste país é que a prática da mediação está nas mãos dos assistentes sociais. Na França, a mediação começou no direito público e passou em seguida ao setor privado. 

Apesar da mediação estar associada ao sistema judiciário como uma forma alternativa de resolução de conflitos, seu campo é muito mais amplo. Ela pode ser utilizada em escolas, empresas, em grupos familiares, em problemas ambientais, etc. A mediação pode atuar em todas as situações em que duas ou mais pessoas ou grupos, estejam se relacionando e vivendo situações de conflito.

A mediação familiar no Brasil teve início nos anos 90. Isso possibilitou que situações de conflito entre casais e problemas referentes à guarda de filhos pudessem ser resolvidos de forma mais rápida e eficiente. 

Os perigos do líder centralizador

Repost de 2012
por Dado Salem



Sabemos que tomar uma decisão sozinho é mais fácil que em grupo. O Psicólogo José Ernesto Bologna costumava dar o seguinte exemplo: se você quiser ir ao cinema basta entrar na internet, escolher o filme e comprar o ingresso. Agora tente fazer isso num grupo de 8 pessoas. Um prefere drama, outro filme europeu, um terceiro não pode naquele horário, um quarto já assistiu o filme, e por ai vai. Essa simples tarefa pode demorar horas e provocar muita discussão. 

Mas quando falamos de decisões complexas a coisa pode ser bem diferente.

Um estudo conduzido pelo psicólogo Patrick Laughlin (*) na Universidade de Illinois nos EUA revelou que grupos conseguem resolver problemas melhor que indivíduos. Segundo ele, os resultados obtidos por um grupo trabalhando cooperativamente costumam ser melhores que o mais eficiente membro do grupo trabalhando sozinho.

É comum um líder experiente e confiante deixar de ouvir membros de seu grupo quando precisa tomar uma decisão importante. Muitos são naturalmente centralizadores e narcisistas. Outros acabam se sentindo obrigados a agir desse jeito, sob a cobrança de que são pagos para tomar decisões e resolver questões complexas, se não fosse assim acreditam que seriam dispensáveis. Essa atitude costuma ser reforçada por membros de equipes que tendem a não querer assumir responsabilidades e a confiar no chefe para resolver problemas.

Cicatrizes psicológicas de crises podem impactar a economia por décadas

Psychological scars of downturns could depress growth for decades
The Economist
Aug 29th 2020


A visão que temos do futuro impacta nossas atitudes que por sua vez ajudam a criar o futuro. Situações traumáticas como a Pandemia do Covid-19 deixam cicatrizes emocionais que podem ter consequências econômicas durante décadas. É a hora dos governos e ministérios da economia ampliarem suas caixas de ferramentas e atuarem mais como psicólogos.




For the past 40 or so years, economists, central bankers and other eminences have gathered against the imposing backdrop of Wyoming’s Teton mountains every August, in order to chew over the great monetary challenges of the day. Not this year. As The Economist went to press the proceedings of the Jackson Hole symposium, organised by the Federal Reserve Bank of Kansas City, were unfolding online, thanks to covid-19. Those tuning in are all too aware of the economic damage wrought by the pandemic. But the headaches are only beginning. As one of the papers due to be presented at the conference explains, covid-19 is likely to reshape people’s beliefs about the world in ways that will complicate the already daunting task of restoring beleaguered economies to health.

The notion that a severe economic shock might do long-run damage is not new. Since the Depression macroeconomists have understood that deep downturns might tip an economy into a “liquidity trap”, in which interest rates fall to zero and monetary policy cannot easily provide a stimulating kick. Without a powerful dose of fiscal stimulus, the economy stays mired in a slump. Or a brutal recession may lead to “hysteresis” in the labour market, causing, say, a lasting increase in the unemployment rate. People out of work for long spells may become so disconnected from the labour market, as their skills and motivation erode, that even when demand recovers they struggle to find jobs. (In the 1980s Olivier Blanchard of the Massachusetts Institute of Technology and Lawrence Summers of Harvard University argued that this explained why unemployment was much higher in Europe than in America.) Both sorts of scarring could restrain economies as they leave the shadow of the pandemic.

Yet research also suggests that traumatic economic episodes can exert a drag on growth simply by altering people’s beliefs about the future. For example, Ulrike Malmendier of the University of California, Berkeley, and Leslie Sheng Shen of the Federal Reserve studied consumption patterns in the aftermath of downturns and find that periods of economic hardship and spells of unemployment tend to depress people’s consumption for some time, even after controlling for income and other variables. Consumers not only spend less but tend to opt for lower-quality or discounted items. Young people are especially affected, potentially prolonging the dampening effect on the economy. Pandemics unquestionably count as potentially scarring economic traumas. In one recent study of 19 of them, going back to the 14th century, Òscar Jordà, Sanjay Singh and Alan Taylor of the University of California, Davis, conclude that such outbreaks depress real rates of return for decades. They find that rates decline, on average, for about 20 years, and do not return to their previous level for 40 years. This effect, they speculate, could reflect the human toll exacted by past pandemics, which shrank the workforce and reduced the return on new capital investment. But they also reckon that an increase in saving by wary households could have a depressing effect.

O homem da antiguidade - a sociedade como sistema interdependente de troca de talentos e a realização de si.

Por Dado Salem


Sociedades são construidas porque não somos auto-suficientes. Precisamos uns dos outros para suprir o essencial da vida. Partindo das nossas necessidades mais simples como alimentação, moradia e vestuário, desde tempos imemoriais o ser humano foi se especializando ao invés de fazer sozinho tudo o que necessita para viver. Platão descreve isso muito bem no Livro 2 da República .

As profissões de ferreiros, carpinteiros, agricultores, construtores, oleiros, pastores, comerciantes, guardiões, músicos, medicos, profesores e artifices de uma infinidade de produtos, existem desde muitos milênios antes de Cristo. Juntos representam um complexo sistema interdependente, complementar e cooperativo de troca de talentos que formaram as civilizações.

Curiosamente a palavra Talento tinha o duplo sentido de aptidão e dinheiro. O Talento foi provavelmente a mais antiga unidade de trocas comerciais que se tem notícia. Em 4000 antes de Cristo na Mesopotamia o Talento foi introduzido como uma unidade de peso e foi posteriormente adotado por Sumérios, Babilonios, Fenícios e Hebreus . Na Grécia, antiga onde essa unidade também foi adotada, um Talento representava o valor em ouro de um boi .  

As palavras têm histórias multi-milenares e muitas vezes para compreender seu sentido original é necessário reconstruir o contexto histórico.

Segundo a cultura da época, a Natureza tem uma racionalidade e todo ser humano nasce com inclinações para desempenhar determinada atividade. Deveria portanto seguir essa razão e se esforçar para desenvolver seus talentos ao máximo a fim de executar aquela função com perfeição, desta forma, sendo quem nasceu para ser, atingiria uma vida plena e realizada. Tinham como ideal que se toda cidade se relacionasse dessa forma, chegariam à plenitude individual e coletiva.

Identidade e Self

por Dado Salem


Quem sou eu? Diante de um extra terrestre me identifico como um ser do planeta Terra. Nesse sentido estou ligado a tudo o que existe no nosso planeta. Os atomos que formam meu corpo, os elementos químicos, minerais e vegetais em meu organismo tem origem na Biosfera (1) . Comparando com outros tipos de existência, sou do Reino animal. Compartilho com uma formiga e uma onça a estrutura de cabeça, tronco e membros e a capacidade de me mover. Diante das outras espécies sou um ser humano, tenho características biológicas e psicológicas profundas iguais a todos os seres humanos (2) . Festejo o ano novo com esperança, sinto amor pelos meus amigos, tenho senso de justiça, busco fazer o meu melhor, atuo como pai, como filho, como marido, como profissional e uma série de outros papéis aos quais todos nós somos convidados a atuar sem que muitas vezes percebamos. Entre os seres humanos me identifico como sendo do sexo masculino. Há coisas que as mulheres não compreendem a nosso respeito, como por exemplo por que não conseguimos acertar a mira na privada e por isso levantamos a tábua, sendo que na maioria das vezes a esquecemos levantada, coisa que irrita algumas terrivelmente. Diante dos humanos de outros continentes sou Latino Americano. Tenho características que um Asiático não possui, rápidamente saberia identificar um Europeu recem chegado. Na África me reconheceriam como um gringo. Tenho um quê que todo brasileiro tem, basta cruzar a fronteira com a Argentina que logo sou percebido. Nasci em São Paulo e vivo no Rio de Janeiro, carrego em mim algo dessas duas cidades. Se eu for para o Sul ou para o Norte isso se torna evidente para um local. Moro no Jardim Botânico mas sou um estrangeiro em Ramos e na Rocinha. Participo do Grupo dos Gladiadores no Posto 6 em Copacabana. Só quem nada naquele grupo sabe o que é. Torço pro Flamengo e participo de tantos outros grupos, como todos nós temos gravadas coisas que são exclusivas dos coletivos que pertencemos. Sou membro das minhas famílias, todas diferentes, mas tenho comportamentos típicos delas, os que eu noto e os que nem percebo. Tenho semelhanças com meu pai e minha mãe, sou filho do meio por parte de pai e caçula por parte de mãe. Mas também sou irmão e o filho homem mais velho. Desempenho cada um desses papéis dependendo da situação. Tenho portanto multiplas identidades dependendo da posição em que me encontro (3). Mas então finalmente eu estou no meu quarto, sozinho. Eu sou eu. Diferente de qualquer outra pessoa que existe, que já existiu e que jamais existirá. Sou um homem típico do meu tempo, mas diferente de todos os outros. Eu sou minhas circunstâncias. Alguns dizem que nascemos como uma Tabula Rasa, que somos formados por tudo que acontece em nossas vidas. Concordo e discordo dessa idéia. Tininha me contou que percebeu assim que colocou no colo cada filho recem saido de sua barriga, que eram totalmente diferentes. De onde vem isso? Há quem fixe essa reflexão no nível biológico. Normal para quem tem uma visão biológica das coisas. Mas há outras formas de entendimento. Minha reflexão se situa entre a filosofia antiga, a psicologia, e outras ciencias humanas. Por que escolhi essa forma de ver as coisas e não outra? Por que tenho mais facilidade para olhar o mundo desse ponto de vista e quando uso essas lentes as coisas fazem sentido para mim? Por que dentre uma infinidade de possibilidades que me cercam algumas fazem sentido e outras não? De onde vem minhas preferências e inclinações? 

Encontrei uma explicação que me tocou no conceito antigo de Pathos, termo usado pelos gregos para nomear as emoções. Pathos é uma potência capaz de agitar a mais profunda instância do ser humano, uma inclinação natural influenciadora de nossas decisões e ações que tem como finalidade nos desenvolver e realizar. Funciona como uma bússola eficiente quando trabalhado em conjunto com o Logos, a razão.

Por outro lado, se deixado sem controle, Pathos pode se transformar em força destrutiva, nas paixões que os estóicos e cristãos consideraram posteriormente como vícios, ou nas doenças que a modernidade trata como patologias (4). 

Construindo Uma Carreira Significativa - Dado Salem conversa com Ana Claudia Leoni


Ana Claudia Leoni é Superintendente de Educação da ANBIMA (associação nacional das entidades do mercado financeiro e capitais), responsável entre outras coisas pela educação de investidores e certificações profissionais. Conversamos sobre direcionamento de carreira, tanto de pessoas que estão no início, quanto aquelas que estão no meio da vida e querendo fazer alguma mudança. Falamos também sobre a Pandemia e as transformações no mercado de trabalho.

Abaixo vai a transcrição do vídeo:

Interdependencia, complementariedade e necessidade de coperação






Conviver com pessoas diferentes em termos raciais, religiosos, econômicos, políticos etc... é o desafio mais urgente enfrentado pela sociedade hoje. Temos a tendência de evitar o envolvimento social com pessoas que diferem de nós mesmos, como cães que latem para desconhecidos. Este livro examina por que isso aconteceu e o que podemos fazer para mudar.

Sennet lecionou durante muitos anos na London School of Economics (LSE) e no New York Institute of Humanities (NYU).

Sabendo tirar proveito da Pandemia





Fiz com minha família um pequeno grupo de leitura da Peste de Camus. Foi uma forma de elaborar e até mesmo tirar proveito da pandemia. Lemos cerca de 20 páginas por dia e à noite, no jantar, discutimos o texto. O primeiro a falar sempre foi meu filho Francisco, o mais jovem, depois eu e seguimos por ordem de idade crescente deixando as mais sábias por último. Foi uma experiência maravilhosa e Francisco gostou tanto que pediu para continuar. Escolhemos o próximo livro. Vamos dar alguns dias de intervalo para assimilar o texto e partiremos para Macbeth de Shakespeare.

Krenak e Gleiser, Conhecimento e Sabedoria




Esse Webinar será lembrado como um dos mais importantes dessa quarentena. Ailton Krenak e Marcelo Gleiser foram postos frente a frente para dialogar sobre a Natureza do ponto de vista das Civilizações Tradicionais e da Civilização Contemporânea. Marcelo Gleiser começa perguntando, "por que para as culturas indígenas a Natureza é Sagrada?". Ailton rebate com "como chegamos à idéia de humanos e Natureza separados?".

Conhecimento e Sabedoria são postos frente a frente. Um mostra o quanto a Ciência nos fez aprender sobre o funcionamento do Universo. O outro mostra como são infantis a busca da imortalidade, a conquista espacial e toda a ciência que não é acompanhada de Ética e Sabedoria.

Países liderados por mulheres se destacam no combate à Covid-19

Precisamos de mais mulheres em posições de liderança. A crise do Coronavírus é um exemplo de como o mundo pode se beneficiar por ter mulheres no poder. Alguns pontos a favor delas são a ética, honestidade, habilidade de construir redes de relacionamento, capacidade de trabalhar de forma colaborativa, pensar no todo e de forma mais ampla, compreender a complexidade, maior capacidade de resolver problemas, maior educação formal, expressar sentimentos, entre outros... É hora de sairmos do padrão masculino de inteligência cega que domina a economia e a politica.

Por Ana Rosa Alves
O Globo
Abril 2020

Com ação rápida e científica, países liderados por mulheres se destacam no combate à Covid-19. Taiwan, Nova Zelândia, Alemanha e países nórdicos estão entre nações com mais sucesso na contenção da pandemia.



Não há uma resposta global unificada à Covid-19, com países tendo diferentes níveis de sucesso no combate à doença. É consenso, no entanto, que Taiwan, Nova Zelândia, Alemanha e alguns países nórdicos estão entre as nações mais eficientes em controlar a pandemia em seus territórios. Com tamanhos, culturas e em continentes diferentes, elas têm algo em comum entre si: são governadas por mulheres.

Segundo a ONU, as mulheres ocupam apenas 7% dos cargos de liderança globais, algo que chama ainda mais atenção para seu sucesso que na contenção do vírus. Isto deve-se, em maior parte, a intervenções rápidas, baseadas em argumentos científicos, testes em massa, medidas de isolamento efetivas e transparência com a população.




Hoje faz um mês que estamos confinados! Graças a Deus estamos bem. Vamos continuar assim mais um tempo, é preciso paciência. Foi a primeira vez que a quaresma coincidiu com a quarentena. Se o número 40 for realmente mágico nesse sentido da transformação, dentro dos próximos 10 dias devemos ter alguma revelação nas nossas vidas.

Vamos ficar atentos aos sinais de Renascimento, Mudança, Transformação, Passagem, Vida Nova.

Boa Páscoa!

Como as pessoas reagirão à nova crise econômica?

Por Stephanie Pappas
American Psychological Association
Abril 2020

Pesquisas psicológicas realizadas em em crises financeiras passadas oferecem pistas de como as pessoas reagirão à calamidade econômica causada pela pandemia do Coronavirus



The COVID-19 crisis has shuttered businesses and led to massive numbers of layoffs nearly overnight. As of April 2, Americans filed a record-breaking 6.6 million unemployment claims in one week, according to the Department of Labor (PDF, 743KB). The U.S. Federal Reserve estimated that 47 million people might lose their jobs in the second quarter of 2020, translating to a 32.1% unemployment rate. That would far overshoot the peak unemployment rate of the Great Recession (10% in October 2009, according to the Bureau of Labor Statistics) and even of the Great Depression (24.9% in 1933).

Despite differences between this economic crisis and previous recessions, psychological research can provide some insight into the behavioral and mental health impacts of financial loss. Key findings include:

Como se tornar resiliente

How People Learn to Become Resilient
Por Maria Konnikova
The New Yorker
Fevereiro, 2016

Todos nós temos ferramentas para lidar com adversidades, no entanto, algumas pessoas lidam muito melhor do que outras. Nesse artigo, Maria Konnikova entrevistou alguns pesquisadores que responderam quais são as melhores formas de lidar com experiências desafiadoras.




Norman Garmezy, a developmental psychologist and clinician at the University of Minnesota, met thousands of children in his four decades of research. But one boy in particular stuck with him. He was nine years old, with an alcoholic mother and an absent father. Each day, he would arrive at school with the exact same sandwich: two slices of bread with nothing in between. At home, there was no other food available, and no one to make any. Even so, Garmezy would later recall, the boy wanted to make sure that “no one would feel pity for him and no one would know the ineptitude of his mother.” Each day, without fail, he would walk in with a smile on his face and a “bread sandwich” tucked into his bag.

The boy with the bread sandwich was part of a special group of children. He belonged to a cohort of kids—the first of many—whom Garmezy would go on to identify as succeeding, even excelling, despite incredibly difficult circumstances. These were the children who exhibited a trait Garmezy would later identify as “resilience.” (He is widely credited with being the first to study the concept in an experimental setting.) Over many years, Garmezy would visit schools across the country, focussing on those in economically depressed areas, and follow a standard protocol. He would set up meetings with the principal, along with a school social worker or nurse, and pose the same question: Were there any children whose backgrounds had initially raised red flags—kids who seemed likely to become problem kids—who had instead become, surprisingly, a source of pride? “What I was saying was, ‘Can you identify stressed children who are making it here in your school?’ ” Garmezy said, in a 1999 interview. “There would be a long pause after my inquiry before the answer came. If I had said, ‘Do you have kids in this school who seem to be troubled?,’ there wouldn’t have been a moment’s delay. But to be asked about children who were adaptive and good citizens in the school and making it even though they had come out of very disturbed backgrounds—that was a new sort of inquiry. That’s the way we began.”

Notas do isolamento

The Economist
Notes on isolation, from those who know it well.
Abril 2020

A astronauta Helen Sharman reflete sobre o lockdown e faz associações com o tempo em que ficou na estação espacial MIR.



In 1991 I became the first British astronaut to go into space. I had chosen to put myself in a small spacecraft with only a few other people, an event we planned and trained for over many months. The circumstances are different from those under lockdown, but there are similarities too: uncertainty, self-isolation and social distancing.

A lot of my mental adjustment to being in a confined space station involved acceptance. On the Mir space station I had planned for it so I was comfortable with the situation from the beginning, but I’m feeling the same thing right now. It's important to understand why we are doing this, to accept the situation, realise it could always be worse and that it will get better.

When I was in space, Mission Control scheduled my days to the minute. Every evening the information they sent would come out like a fax machine, a long thin bit of paper telling me exactly what time I should get up, when I should eat, what experiments I should do and when. I didn’t mind – it was efficient – but I did get comfort from the small things that I could control, like what juice I drank and the time after dinner when I really could do whatever I wanted. Now my days are restricted like everyone else – my speaking engagements have been cancelled and my work for Imperial College London is moving online – but I still take pleasure in the small things; deciding my morning run and what path I take. I remember that lesson from space, letting go of what you can’t control and focusing on what you can. We have all been told to stay at home – but we can still decide how we use our time.

Dicas com melhores práticas para Home Office

Num momento em que estamos todos tendo que trabalhar de casa, aqui vão algumas dicas úteis para que o home office seja uma experiência boa e produtiva.


O confinamento pode nos ajudar a fazer um detox de nosso modo de vida

Por David Le Bailly e Sylvain Courage
L'OBS
Março 2020



Le sociologue et philosophe analyse la crise sanitaire mondiale.
« Cette crise nous montre que la mondialisation est une
interdépendance sans solidarité », explique-t-il.

Quel est, à ce stade, le principal enseignement que l’on puisse tirer de la pandémie du coronavirus ?

Cette crise nous montre que la mondialisation est une interdépendance sans solidarité. Le mouvement de globalisation a certes produit l’unification techno-économique de la planète, mais il n’a pas fait progresser la compréhension entre les peuples. Depuis le début de la globalisation, dans les années 1990, guerres et crises financières ont sévi. Les périls planétaires – écologie, armes nucléaires, économie déréglée – ont créé une communauté de destin pour les humains, mais ceux-ci n’en ont pas pris conscience. Le virus éclaire aujourd’hui de manière immédiate et tragique cette communauté de destin. En prendrons-nous enfin conscience ? Faute de solidarité internationale et d’organismes communs pour prendre des mesures à l’échelle de la pandémie, on assiste à la fermeture égoïste des nations sur elles-mêmes.


Dans son discours, le président Macron parle du danger d’un « repli nationaliste »...

Pour la première fois, c’est un vrai discours de président. Il n’y était pas seulement question de l’économie et des entreprises mais aussi du sort de tous les Français, des soignés et des soignants, des travailleurs acculés au chômage partiel. Son allusion au modèle de développement qu’il faudrait changer est une amorce. Cela dit, l’antidote au repli nationaliste n’est pas le repli européen, puisque l’Europe est incapable de s’unir là-dessus ; c’est la formation de solidarités internationales, commencées par les médecins et chercheurs de tous les continents.


Superando obstáculos

Por Dado Salem
Março 2020

A quarentena forçada é uma ótima oportunidade para fazer mudanças importantes em nossas vidas. Afinal, quando foi que o mundo parou e tivemos tempo para refletir?



Podemos usar esse tempo para fazer um balanço e nos permitir imaginar uma vida prazerosa e desejada. Porém, na hora de sair do mundo das idéias e pensar na execução, imediatamente surgirão múltiplos obstáculos: financeiros, culturais, familiares, físicos, sociais, psicológicos, políticos, emocionais, etc.

Quando a vida retomar, se não mudarmos algo dentro de nós, teremos de volta os problemas que sempre nos impediram realizar aquilo que sonhamos e mais alguns que estão sendo colocados no nosso caminho agora.

No entanto, se observarmos a natureza como fizeram os Estóicos e os Taoistas, aprenderemos com a água que os obstáculos estão aí para serem contornados. Ela corre morro abaixo sempre encontrando uma maneira de seguir seu caminho.

Não temos controle sobre o que nos acontece, mas podemos controlar a forma como respondemos aos fatos. Os Estóicos tinham uma máxima chamada Amor Fati, ame os fatos, ame a realidade. Ela está aí. Não adianta ficar reclamando, colocando a culpa em alguém ou se sentir incapaz de realizar o que deseja. Temos a tendência natural a ficar paralizados ou desistir diante de monstros que são os obstáculos. O obstáculo não está no caminho, ele é o caminho! A pergunta é, como vamos fazer para superá-lo?

Intervalo - como tirar proveito da quarentena

Por Dado Salem
Março 2020



Estamos diante de um bloqueio. Fomos obrigados a uma parada forçada por fatores que estão além do nosso controle. Não é momento propício para qualquer iniciativa. É hora de descansar e fazer trabalhos internos, coisas simples como cuidar da casa, cozinhar, lavar pratos, ficar com a família, ler, assistir filmes… É também um excelente momento para refletir sobre nossa propria vida.

É como se um tempo do jogo tivesse terminado, um intervalo para descansar e refletir. Já vivemos muito e temos muito a viver. Daqui a pouco retomaremos. Mas de que forma?

Como foi sua vida até aqui? O que deu certo e o que não está funcionando? A coisa mais importante do intervalo é arrumar o que não está bom. É uma tarefa difícil mas fundamental se quisermos uma vida melhor. É hora de resolver problemas antigos, desavenças, ressentimentos, pedras que estão há tempos no sapato nos incomodando. Pare de remoer o passado. Resolva esse problema de uma vez por todas que a vida ficará mais leve e o futuro se abrirá com mais clareza.

Fórmula infalível para vencer na vida

Por Dado Salem
Março 2020


Em primeiro lugar procure um ambiente fértil. Um espaço onde você pode aprender uma coisa que te interessa. Não importa o assunto. Onde estão as melhores pessoas dessa área? Pode ser a música, o esporte, medicina, engenharia, letras, artes… Se aproxime dessas pessoas. Onde elas moram? por onde andam? onde trabalham? de quais feiras e congressos participam? que bares frequentam? Não é necessário ter dinheiro. Peça emprego como garçom ou garçonete mas fique perto dessas pessoas. Em pouco tempo estará amigo delas. Quer trabalhar no mercado financeiro? Peça emprego como officeboy na melhor instituição do ramo.

Estude, leia tudo a respeito desse tema. Procure no Youtube, Instagram e pela internet em geral, há muita informação gratuita. Quais autores os especialistas recomendam? Em quais jornais publicam? Leia-os. Siga essa gente nas Mídias Sociais.

Pratique. Dedique seu tempo ao assunto que te interessa. Aprofunde-se nele. Treine como um atleta, mas com inteligência para não exagerar e cansar.

O futuro é daqueles que fazem acontecer promovendo a felicidade

Can We Be Happier? — yes, but it’s not about wealth or GDP
Por Rana Foroohar
Financial Times
Fevereiro 2020

A felicidade requer menos dinheiro do que pensamos. Ela depende mais da nossa saúde mental, dos nossos relacionamentos, de um bom trabalho e de confiarmos na sociedade. Por outro lado, ter um chefe chato e trabalhar com pessoas difíceis atrapalha muito. Este estudo mostra que o futuro está aberto para os líderes que fazem as coisas acontecerem promovendo a felicidade.




Richard Layard’s manifesto for wellbeing urges us to focus on trust and relationships

The election of Donald Trump — and the prospect of his re-election — has been credited to everything from institutionalised racism in America to rising inequality.

But according to Richard Layard, founder and former director of the Centre for Economic Performance at the London School of Economics, the answer is simpler — it’s about happiness. If you look across the 3,096 US counties that participated in the 2016 election, votes for Trump were better explained by the average level of happiness in the county (self-reported, a measure that is apparently quite accurate) than by its unemployment, income or growth rate.

By this calculation, Democrats wishing to prevent Trump 2 would do best to focus on which candidate will make the most people happy, rather than the policy particulars of tax, healthcare or foreign policy. Of course, the latter can help facilitate the former, which is the one of the messages that Layard pushes in his interesting (albeit overly sweeping) look at the new science of happiness and how we can harness it to improve ourselves, our relationships and our societies.

Epimeteu e a caixa de Pandora

Por Dado Salem
Fevereiro 2020

Os ensinamentos da Mitologia Grega sobre as pessoas que primeiro fazem e depois pensam

                                                            Ilustração: Giulio Bonasone

É bom ter cuidado com esses tipos que costumam falar antes e pensar depois.

Na mitologia grega, um dos mais perfeitos compêndios da psicologia humana, há uma figura justamente com essa característica: Epimeteu.

Epimeteu era irmão de Prometeu, aquele que roubou o fogo dos Deuses e deu aos homens. Os nomes deles dizem muito. Prometeu vem de pro, antes de, e methos, observar, pensar, ou seja, é aquele que reflete antes de agir. Epimeteu é o oposto. Epi, significa depois de, trata-se portanto daquele primeiro fala e age e depois pensa.

Entrevistando a empresa para evitar arrependimentos

por Dado Salem
Fevereiro 2020




Numa entrevsita de emprego em geral há uma situação desbalanceada de poder. De um lado entrevistadores que podem decidir a contratação, de outro quem gostaria entrar naquele time. Por mais que se procure evitar, há um olhar de cima para baixo ou de baixo para cima. Os entrevistadores procuram saber a respeito das experiências, formação, perfil e se o candidato se integrará bem na organização. O profissional por sua vez tende a ficar tenso e procura fazer de tudo para causar uma boa impressão. No final invariavelmente reflete se foi bem ou não na entrevista.

O que poucos fazem é entrevistar a empresa.

Sociedade em rede e as habilidades relacionais

por Dado Salem
Fevereiro 2020



O presidente do Google Sundar Pichai tem afirmado seguidamente que a Inteligência Artificial causará mais impacto na humanidade do que o fogo e a eletricidade. O mundo está mudando tão rapidamente que tudo nos leva a crer que ele está certo e que estamos no meio de uma grande revolução. Se observarmos os exemplos do passado, constataremos que revoluções desta magnitude mudaram radicalmente nossa maneira de viver.

Planejamento sucessório é necessário para evitar disputa por heranças

Por Gabriela Oliva*
O Globo
Fevereiro 2020

Disputa por heranças é uma história que se repete desde o rascunho da bíblia. Agora estamos assistindo o caso público da família de Gugu Liberato. Isso é um problema que pode ser evitado por meio de acordos, contratos e conversas de família.



A disputa pela herança do apresentador Gugu Liberato, que morreu em novembro do ano passado, trouxe à tona o debate em torno do planejamento da sucessão de bens e fortunas. Especialistas ressaltam que a gestão patrimonial é o caminho ideal para evitar discórdias no futuro. Segundo a advogada Marina de Barros Monteiro, é preciso antecipar os efeitos patrimoniais do falecimento.

— É fundamental fazer um contrato e retratar nele, com detalhes, o seu desejo e tipo de relação, seja conjugal ou de namoro. A regulamentação da verdade é fundamental. Recomendo que, em vida, o proprietário do patrimônio antecipe a concretização do destino da herança — explica.

De acordo com a advogada, a prevenção pode ser feita tanto por meio do casamento no regime de separação total de bens ou pelo pacto antenupcial. Ela ressalta que, sob os aspectos nupciais, ninguém tem o direito de acessar o bem do outro durante o casamento.

Racionalidade limitada. Fatos não mudam nossa opinião

Why facts don't change our minds
por Elizabeth Kolbert
The New Yorker

Sabe quando você tenta convencer uma pessoa de alguma coisa? Por ex. de que o político que ela ama, e vc odeia, é uma péssima escolha? Você apresenta uma série de evidências mas ela refuta todos seus argumentos.

Pois é… Estudos científicos comprovam que nossa racionalidade é limitada e que tendemos a não mudar de opinião mesmo diante de evidências e fatos. Uma vez fixadas, impressões são dificilmente alteradas. Isso ficou conhecido como “Viés de Confirmação”. Ou seja, escolhemos as informações que confirmam nosso ponto de vista e descartamos todas as outras. Com isso temos material suficiente para debater e comprovar que estamos certos e o outro errado.





In 1975, researchers at Stanford invited a group of undergraduates to take part in a study about suicide. They were presented with pairs of suicide notes. In each pair, one note had been composed by a random individual, the other by a person who had subsequently taken his own life. The students were then asked to distinguish between the genuine notes and the fake ones.

Some students discovered that they had a genius for the task. Out of twenty-five pairs of notes, they correctly identified the real one twenty-four times. Others discovered that they were hopeless. They identified the real note in only ten instances.