Vida Simples


Por volta dos 30 anos de idade optei por uma vida simples, tranquila e saudável, viver com o essencial e dedicar meu tempo a fazer as coisas que me pareciam significativas. As vilas operárias surgiram como locais ideais para morar nos grandes centros. Elas tem as vantagens de uma casa mas não as desvantagens. Há uma vida comunitária natural e genuína, um espírito inclusivo, diferente dos condomínios fortificados e exclusivos.

Esta casa compramos em 2005 no bairro do Horto no Rio de Janeiro, em frente ao Jardim Botânico. Na época era uma região desvalorizada, utilizada como cenário para filmar os núcleos pobres de novelas. Hoje é um dos locais mais valorizados da cidade, pois está dentro e ao mesmo tempo fora da agitação dela. Francisco aprendeu a andar de bicicleta e jogar futebol na rua. 

Este vídeo retrata um pouco esse estilo de vida.  





 

O Cuidado de Si – A Hermenêutica do Sujeito

Por Dado Salem
Julho 2021





Se um gênio aparecesse agora na minha frente e oferecesse a possibilidade de fazer uma viagem no tempo, eu escolheria ir para quarta-feira, dia 6 de janeiro de 1982 em Paris e ficar por lá até 24 de março. Foi quando aconteceram as 12 conferências de Michel Foucault no College de France chamadas Hermenêutica do Sujeito.

Como parte de seu contrato com esta instituição, Foucault tinha que apresentar todos os anos o resultado de seus estudos por meio de 26 horas de aulas abertas. Num anfiteatro para 300 pessoas, se amontoavam cerca de 500 estudantes, professores, curiosos e pesquisadores, que vinham de vários países para ouvir o filósofo. Ao entrar na sala, Foucault, como um acrobata, precisava saltar por cima das pessoas para chegar à mesa, onde ainda teria que abrir espaço entre dezenas de gravadores dos estudantes, para ajeitar suas coisas e organizar seus papéis. Foucault reclamava da situação e da pouca possibilidade de troca com a plateia por conta do formato estabelecido para a conferência. 

O que ele apresentava nessas palestras era um esboço do que depois seria transformado em livro. Neste caso, o conteúdo foi resumido num capítulo do livro O cuidado de si.

Por trás do título enigmático Hermenêutica do Sujeito, Foucault abordou um tema fundamental na antiguidade clássica: o autoconhecimento, traduzido pela famosa frase "conhece a ti mesmo". O filósofo se concentrou principalmente nas práticas que uma pessoa deveria adotar no seu cotidiano para atingir esse objetivo e desenvolver seus potenciais.

Maestria - a arte de se tornar ninguém

por Dado Salem
Junho 2021

Tenho o hábito de escrever para mim mesmo coisas que acho importante lembrar. Releio elas com alguma frequência para não esquecer. Esse texto escrevi pensando no meu trabalho como facilitador de diálogos e orientador de carreiras. Compartilho porque acho que pode ser útil e servir para outros casos também. 



A maestria é fruto de um longo caminho, uma busca eterna e não é aprendida facilmente.

Há que se render, se entregar ao ofício como um artesão. Se seu objetivo for ganhar dinheiro, então não trilhe este caminho. Existem opções mais lucrativas. Mas se quiser buscar a maestria, aprenda a ter uma vida simples.

É preciso acalmar a mente, deixar de lado os medos e o desejo de sucesso. Uma mente inquieta impede o estado de espírito necessário. Deixe os pensamentos e sentimentos aflorarem, não os reprima, apenas os observe.

Observe e ouça atentamente os seus mestres. Se concentre em fazer bem feito, na vontade de sempre estudar e aprender. Se concentre também na perseverança, porque a jornada é longa, árdua e não faltarão ocasiões para você desistir. Muitos abandonam no meio do caminho. Nem todos tem a disciplina e a força de caráter necessárias para continuar.

O vira-latas e a revolução da Sociedade em Rede

Por Dado Salem
Junho 2021



O vira-latas é o canivete suiço dos cachorros, pau pra toda obra, jack of all trades como dizem os norte-americanos. Criados na natureza urbana, são os lobos do asfalto. De fome não morrem. Sua natureza versátil, múltipla, os faz saber exatamente onde encontrar o que precisam e se reproduzem a valer. A adaptabilidade os torna capazes de sobreviver em realidades distintas.

Em contrapartida, os cães de raça – especialistas em determinadas funções – costumam ser caros, dependentes e ter saúde mais frágil. Isso significa que, se forem tirados de seu ambiente protegido e previsível, se não recuperam sua natureza essencial, é improvável que sobrevivam.

Na transição da Sociedade Industrial, estável e conhecida, para o mundo incerto e cambiante da Sociedade em Rede, diplomas e especializações têm a mesma utilidade que um pedigree para um cão de raça que foi abandonado pelo seu dono e posto na rua.

Na Sociedade em Rede estamos sempre em contato com coisas que não temos domínio. Quando nos apropriamos de um ambiente e achamos que estamos no controle, é justamente quando não podemos relaxar, porque o que é tendência agora, amanhã já está velho. Não há garantia de que o que está funcionando continuará. São várias redes com linguagens diferentes que estão aparecendo… e morrendo. É tudo muito rápido, instável, volátil. A cada dia há uma oportunidade diferente ou nova. 

Escrevendo um currículo

Já escrevi uma centena de currículos com meus clientes. Uma das maiores dificuldades é a linguagem corporativa. Ela consegue tirar toda riqueza e personalidade de um indivíduo, aquilo que o torna quem é. O achatamento do caráter numa folha de papel. Nada mais duro, frio e sem vida que um currículo. É uma pena que essa característica ultrapassada da Sociedade Industrial, que procura encaixotar as pessoas, ainda perdure nas empresas e até mesmo naquelas que se dizem inovadoras. Funciona bem para descrever máquinas, não pessoas.  

A poetisa e ensaísta polonesa Wislawa Szymborska, vencedora do prêmio Nobel de Literatura, captou isso bem no poema que chamou de Escrevendo um currículo.




Escrevendo um currículo
Por Wislawa Szymborska


O que precisa ser feito?
Preencher a ficha de inscrição
e anexar um currículo.

Mesmo que a vida seja longa
o currículo tem que ser curto.

Obrigatória a concisão e seleção dos fatos.
As paisagens são substituídas por endereços,
memórias trêmulas dão lugar a datas inabaláveis.

De todos os seus amores mencione apenas o casamento,
de todos os seus filhos, apenas aqueles que nasceram.

Quem conhece você conta mais do que quem você conhece.
Viagens somente se forem feitas no exterior.
Associações em quê, mas sem por quê.
Honras, mas não como foram conquistadas.

Os 4 atos das Pandemias

Por Dado Salem
Abril 2021



Segundo o historiador da medicina Charles Rosenberg*, epidemias costumam ter quatro Atos, como numa peça de teatro.

No primeiro Ato, que ele chamou de Revelação Progressiva, empresários, comerciantes, politicos e a população em geral relutam em reconhecer a situação por conta da ameaça aos seus interesses e do modo de vida que não gostariam de mudar. O reconhecimento, embora relutante, acaba vindo gradualmente por conta das doenças e do número inegável de mortos. 

O segundo Ato ele nomeou de Gerenciando a Aleatoridade. Trata-se da busca de um acordo coletivo para gerenciar a realidade desanimadora da epidemia. O objetivo é identificar fatores de risco e mudar o comportamento, o estilo de vida. Trata-se de construir uma base lógica para enfrentar o problema. Fechamos o comércio? Deixamos abertas as igrejas? O que fazer com as escolas? Tornamos obrigatório o uso de mascaras? O que dizem os especialistas? Quais são os métodos eficazes de combate à doença? 

O maior erro da história da humanidade

The Worst Mistake in the History of the Human Race
por Jared Diamond
Discover Magazine
1999


O discurso científico dominante diz que evoluímos de uma vida selvagem e bárbara numa natureza hostil, até atingirmos a civilização. 

Mas se ouvirmos os poucos grupos que ainda vivem como caçadores coletores eles nos dizem que nunca existiu a idéia de lugar selvagem na natureza, que a natureza não é perigosa, mas hospitaleira e não é ameaçadora, mas amistosa. E pelo contrário, como uma grande mãe, ela oferece tudo o que precisamos. 

Na passagem da Sociedade Tribal para Sociedade Agrícola o ser humano deixou de pertencer à Terra e a terra passou a pertencer ao ser humano. Essa foi uma das maiores mudanças culturais da nossa história. Textos antigos retratam esse acontecimento como a Queda do Paraíso, quando começamos a ter que trabalhar e tirar o sustento do suor do nosso próprio rosto. 

Jared Diamond, geografo, antropólogo, historiador, ornitólogo e professor da UCLA escreveu esse artigo provocador trazendo evidências de que abandonar o estilo de vida tribal foi um grande divisor de águas e talvez o maior erro da humanidade. 




To science we owe dramatic changes in our smug self-image. Astronomy taught us that our earth isn't the center of the universe but merely one of billions of heavenly bodies. From biology we learned that we weren't specially created by God but evolved along with millions of other species. Now archaeology is demolishing another sacred belief: that human history over the past million years has been a long tale of progress. In particular, recent discoveries suggest that the adoption of agriculture, supposedly our most decisive step toward a better life, was in many ways a catastrophe from which we have never recovered. With agriculture came the gross social and sexual inequality, the disease and despotism, that curse our existence. At first, the evidence against this revisionist interpretation will strike twentieth century Americans as irrefutable. We're better off in almost every respect than people of the Middle Ages, who in turn had it easier than cavemen, who in turn were better off than apes. Just count our advantages. We enjoy the most abundant and varied foods, the best tools and material goods, some of the longest and healthiest lives, in history. Most of us are safe from starvation and predators. We get our energy from oil and machines, not from our sweat. What neo-Luddite among us would trade his life for that of a medieval peasant, a caveman, or an ape?

Home office e a globalização do trabalho

Por Simon Kuper
Financial Times
Março 2021


“Se você pode fazer seu trabalho de qualquer lugar, alguém de qualquer lugar pode fazer seu trabalho.”



A Canadian I know has just started work at a bank in the US. He won’t have to move: he’ll work from home in Toronto and keep paying Canadian taxes. He will earn less than he would in the US, but more than in Canada.

An entrepreneur I know in Paris is recruiting staff in the same spirit. After the pandemic hit, he closed his office and laid off many employees. Now he hires graphic designers in South Africa instead of Paris, getting more experienced people at half the price. He won’t go back to recruiting Parisians.


There has been endless talk of remote workers moving from New York or London to Florida or Sussex. In fact, something more radical is happening: high-skilled jobs are being offshored out of superstar cities to the rest of the world. Like so many changes in this pandemic, what began as an emergency response may solidify into permanence.


The trend towards global remote work predated Covid-19, especially in tech. Companies in Silicon Valley and New York, looking for cheap top-class talent, created teams of developers in India and, later, in Latin America. Then, when the virus prompted mass homeworking, people in all sorts of highly paid professions seized the opportunity to offshore themselves. Again, the effect was probably strongest in tech, where most jobs can be done remotely and the workforce is global: about 71 per cent of tech employees in Silicon Valley were foreign-born, calculated The Seattle Times in 2018.


Australians, New Zealanders and Irish people were among those who brought their jobs home in the pandemic. Countries from Barbados to Estonia created visas to lure remote workers.

A trágica correlação entre conflitos e desastres

Por Dado Salem
Março 2021

No momento em que estamos vivendo o pico da Pandemia no Brasil, vendo que poderíamos ter evitado essa situação mas que o conflito político impediu uma ação coordenada dos governos, multiplicando exponencialmente o número de mortos, fico preocupado com nosso futuro diante das mudanças climáticas que virão.  



Desastres não são decorrentes de acidentes naturais.

Todos os anos vemos acontecer terremotos, furacões, secas, incêndios, vulcões, tsunamis, enchentes, etc. Mas esses eventos naturais, por mais terriveis que sejam, não costumam causar desastres.

Desastres são eventos calamitosos que causam uma ruptura no funcionamento de uma sociedade gerando graves perdas humanas, econômicas, ambientais, etc. e que excedem a capacidade da comunidade resolver sozinha, precisando recorrer ao auxílio externo. A explosão no porto do Líbano é um exemplo, o rompimento da barragem de Mariana é outro recente no Brasil.   

Em geral, quando há um plano de mitigação de riscos, os impactos de acidentes naturais tendem a ser minimizados. Esses eventos só se tornam desastres quando pessoas e o ambiente estão expostas a riscos e os organismos responsáveis e governos negligenciam ou não agem coordenadamente. Aí o resultado tende a ser devastador, multiplicando o número de mortos e gerando graves consequências sociais, econômicas e ambientais. Ou seja, embora muitas vezes desastres tenham causas naturais, eles são resultado da ação humana, ou da sua inação*.

Conflitos políticos são causadores de desastres.

Conflitos acontecem quando dois ou mais grupos não se escutam, não encontram uma maneira construtiva de resolver suas diferenças e atuam no intuito de prejudicar o outro para atingir seus objetivos.

Num país políticamente estável é mais provável que se encontre pacificamente maneiras de resolver problemas e mitigar riscos de acidentes naturais. No entanto, num país onde há conflitos políticos deflagrados e se coloca interesses pessoais e partidários acima do interesse comum, uma ação coordenada é práticamente impossível, o que aumenta muito a probabilidade de ocorrerem desastres. 

Estudar o passado para construir o futuro

Our Gutenberg Moment
Por Marina Gorbis
Stanford Social Innovation Review

Estamos vivendo uma época de tantas transformações que muitas vezes nos sentimos desorientados. Alguns sábios da antiguidade diziam que a história se repete. Aqui vai um exemplo atual de como estudar os acontecimentos do passado pode ajudar a entender para onde estamos indo e mesmo influenciar o futuro. Marina Gorbis, presidente do Institute for the Future, organização sediada em Palo Alto e que presta serviços para muitas empresas no Vale do Silício, escreveu esse interessante artigo que merece ser lido com atenção.





Futurists often have to imagine things that seem impossible today. This is why we have to be as much historians as future thinkers. People are naturally predisposed to think about the future as an extension of today. We tend to assume that many established ways of being and doing are immutable—that they are a part of the natural order of things. It is difficult today, for example, to see how one might live without having a job. It is hard to imagine an alternative economic system beyond capitalism or communism.

Immersing oneself in the past widens the repertoire of what we might consider possible. When we read history, we discover that wage employment—the idea that our labor is a commodity we can sell to others—is a relatively recent concept (about 300 years old). We learn that throughout the span of our human existence, societies and communities have developed many different systems of gifting, transacting, and trading that did not fall into traditional communism-capitalism dichotomy.

In light of today’s spread of “fake news” and debates about post-truth society, I’ve been re-reading the history of the printing press, Johannes Gutenberg’s invention dating back to the mid-1400’s. Probably the most exhaustive exploration of the subject is in Elizabeth Eisenstein's two-volume book The Printing Press as an Agent of Change. In her writings, Eisenstein refers to the “Unacknowledged Revolution” that followed Gutenberg’s invention, which encompassed not only the Protestant Reformation, but also the Renaissance and the Scientific Revolution. Print media allowed the general public to access ideas and information not previously available to them. This in turn led to the growth of public knowledge, and enabled individuals to formulate and share their own thoughts, independent from the church. Hence, new, non-church authorities and influences grew, and the arts and sciences flourished.

Todo futuro tem mau passado

por José Eduardo Agualusa
O Globo 
Fev/2021



Imaginemos que em 1696, poucos meses antes de morrer, o poeta Gregório de Matos tivesse publicado um romance de antecipação política, cuja ação decorresse no início do século XXI. Nesse livro, Matos imaginaria um mundo no qual a escravatura tivesse sido completamente abolida. A compra e venda de pessoas seria ilegal em todos os países. Os habitantes desse tempo futuro olhariam com intenso horror para o passado, aquele distante século XVII, no qual por toda a parte se comerciava gente.

Como é que um livro assim teria sido acolhido pela sociedade da época?

Provavelmente com troça. Eventualmente com susto e incompreensão. Alguns olhariam Gregório com desdém, como se olham os muito ingênuos e os sonhadores ociosos. O poder político acusaria o poeta de pretender subverter a ordem estabelecida. A Santa Inquisição iria acusá-lo de heresia ao sugerir imperfeições morais na Bíblia e nos ensinamentos do senhor Jesus Cristo, que recomendava aos senhores tratar os escravos com respeito e dignidade, mas em nenhum momento foi capaz de compreender que o tal respeito e dignidade só se alcançariam com a abolição completa do sistema escravocrata.

Um exercício como este pode ser útil nos momentos amargos, quando, face a uma nova atrocidade, tendemos a duvidar da evolução moral da sociedade no seu conjunto. Vale também sempre que nos deixamos cair na tentação de julgar personalidades de épocas passadas segundo os valores do presente. É fácil esquecer que o passado já foi futuro. Pensando bem: todo futuro tem mau passado.

São inúmeros os romances de ficção científica que foram capazes de prever avanços tecnológicos, das viagens à Lua à invenção dos robôs, passando pela criação de centrais de energia solar e até de algo semelhante à internet. Já os romances de antecipação política, como “1984”, de George Orwell, ou “Submissão”, do francês Michel Houellebecq, são muito mais raros. Ou então falham de tal forma nas suas previsões que depressa os esquecemos (é o que irá acontecer com “Submissão”). 

A sabedoria dos antigos

por Dado Salem
Jan 2021

                                                                       Nemesis: a Justiça primitiva


Os mitos, vistos hoje como sinônimo de mentira ou histórias para divertir as crianças, contem um profundo conhecimento e grande sabedoria formados por milhares de anos de experiência e observação do funcionamento da vida.

Francis Bacon, a quem se atribui a criação do método científico – o selo de autenticidade que comprova o que consideramos “verdade” no mundo contemporâneo, reconheceu a utilidade desse conhecimento arcaico: “não posso deixar de atribuir um alto valor para a mitologia antiga […] e todo homem, de qualquer erudição, deve prontamente permitir que este método de instrução seja grave, sóbrio ou extremamente útil, e às vezes necessário nas ciências, pois abre uma passagem fácil e familiar para o entendimento humano”.

Na mitologia antiga, a divindade que considero mais importante de ser conhecida e observada é Nemesis, a Justiça primitiva. Venerada por todos mas especialmente temida pelos ricos, poderosos e afortunados, essa deusa era, segundo algumas versões, filha do titã Oceano e da deusa Nix (a noite). Por esse motivo Nemesis agia sem ser percebida, de maneira inconsciente e tinha ao seu lado a inconstância, as mudanças, a imprevisibilidade e as adversidades da vida, que utilizava para castigar aqueles que ultrapassavam o métron, os limites pessoais, e cometiam um descomedimento errando pelo excesso.

Considerada implacável e impiedosa, Nemesis foi amplamente utilizada nas tragédias gregas como a divindade que daria ao protagonista descuidado aquilo que lhe era devido. No mito de Narciso por exemplo, um jovem bonito mas arrogante que desprezava os outros, Nemesis o levou ao lago onde se apaixonou por sua própria imagem e lá morreu. Na Guerra de Troia, Aquiles o principal gerreiro grego, foi punido pelo mesmo princípio por mutilar o corpo de seu arqui inimigo Heitor.