Os 4 atos das Pandemias



Segundo o historiador da medicina Charles Rosenberg*, epidemias costumam ter quatro Atos, como numa peça de teatro.

No primeiro Ato, que ele chamou de Revelação Progressiva, empresários, comerciantes, politicos e a população em geral relutam em reconhecer a situação por conta da ameaça aos seus interesses e do modo de vida que não gostariam de mudar. O reconhecimento, embora relutante, acaba vindo gradualmente por conta das doenças e do número inegável de mortos. 

O segundo Ato ele nomeou de Gerenciando a Aleatoridade. Trata-se da busca de um acordo coletivo para gerenciar a realidade desanimadora da epidemia. O objetivo é identificar fatores de risco e mudar o comportamento, o estilo de vida. Trata-se de construir uma base lógica para enfrentar o problema. Fechamos o comércio? Deixamos abertas as igrejas? O que fazer com as escolas? Tornamos obrigatório o uso de mascaras? O que dizem os especialistas? Quais são os métodos eficazes de combate à doença? 

O maior erro da história da humanidade

The Worst Mistake in the History of the Human Race
por Jared Diamond
Discover Magazine
1999


O discurso científico dominante diz que evoluímos de uma vida selvagem e bárbara numa natureza hostil, até atingirmos a civilização. 

Mas se ouvirmos os poucos grupos que ainda vivem como caçadores coletores eles nos dizem que nunca existiu a idéia de lugar selvagem na natureza, que a natureza não é perigosa, mas hospitaleira e não é ameaçadora, mas amistosa. E pelo contrário, como uma grande mãe, ela oferece tudo o que precisamos. 

Na passagem da Sociedade Tribal para Sociedade Agrícola o ser humano deixou de pertencer à Terra e a terra passou a pertencer ao ser humano. Essa foi uma das maiores mudanças culturais da nossa história. Textos antigos retratam esse acontecimento como a Queda do Paraíso, quando começamos a ter que trabalhar e tirar o sustento do suor do nosso próprio rosto. 

Jared Diamond, geografo, antropólogo, historiador, ornitólogo e professor da UCLA escreveu esse artigo provocador trazendo evidências de que abandonar o estilo de vida tribal foi um grande divisor de águas e talvez o maior erro da humanidade. 




To science we owe dramatic changes in our smug self-image. Astronomy taught us that our earth isn't the center of the universe but merely one of billions of heavenly bodies. From biology we learned that we weren't specially created by God but evolved along with millions of other species. Now archaeology is demolishing another sacred belief: that human history over the past million years has been a long tale of progress. In particular, recent discoveries suggest that the adoption of agriculture, supposedly our most decisive step toward a better life, was in many ways a catastrophe from which we have never recovered. With agriculture came the gross social and sexual inequality, the disease and despotism, that curse our existence. At first, the evidence against this revisionist interpretation will strike twentieth century Americans as irrefutable. We're better off in almost every respect than people of the Middle Ages, who in turn had it easier than cavemen, who in turn were better off than apes. Just count our advantages. We enjoy the most abundant and varied foods, the best tools and material goods, some of the longest and healthiest lives, in history. Most of us are safe from starvation and predators. We get our energy from oil and machines, not from our sweat. What neo-Luddite among us would trade his life for that of a medieval peasant, a caveman, or an ape?