Março 2026
Em Crime e Castigo, Dostoiévski apresenta por meio do protagonista Raskólnikov, a idéia de que a humanidade se divide entre pessoas “ordinárias”, por natureza conservadoras e corretas, feitas para obedecer às leis, e pessoas “extraordinárias”, que, em nome de um bem maior ou da criação do novo, se autorizariam a transgredir essas leis e até a cometer crimes.
Em Crime e Castigo, Dostoiévski apresenta por meio do protagonista Raskólnikov, a idéia de que a humanidade se divide entre pessoas “ordinárias”, por natureza conservadoras e corretas, feitas para obedecer às leis, e pessoas “extraordinárias”, que, em nome de um bem maior ou da criação do novo, se autorizariam a transgredir essas leis e até a cometer crimes.
Essa proposição dialoga diretamente com duas tentações que se espelham. Da Esquerda Radical, que acredita que a história exige ruptura, que vê a família e a moral tradicionais como obstáculos, e legitima a transgressão em nome do futuro. E da Extrema Direita, que vê a ruptura como ameaça e teme o caos mais que a injustiça.
O perigo começa quando tanto a Direita quanto a Esquerda acreditam ter o direito de ultrapassar limites em nome de um ideal e achar que tem o direito de fazê-lo pisando nos outros.
Olhando para o Brasil, a Ditadura Militar com a justificativa de salvar o país do Comunismo, preservar a ordem e evitar o caos, suspendeu direitos, impôs a censura, praticou torturas e assassinatos. Muitos agentes acreditavam agir legitimamente porque defendiam a civilização, protegiam a família e combatiam um inimigo. A narrativa implícita era, estamos acima da lei porque defendemos a própria lei. A lógica proposta era que a normalidade moral não se aplica em tempos excepcionais. A segurança da nação justifica a transgressão. O “extraordinário” era o salvador da ordem.