Setembro 2026Sou de uma geração que olhava para o futuro como uma coisa boa e desejável. Havia até uma certa pena dos nossos antepassados que não tiveram a oportunidade de viver coisas que poderíamos experimentar. O passado era uma vida em branco e preto e nós, da época colorida. Assistíamos a Copa do Mundo ao vivo enquanto eles tinham que se contentar com cenas transmitidas pelo rádio num áudio de baixa qualidade. As estradas que viajavam eram esburacadas e para nós, os aviões supersônicos comerciais já eram uma realidade. Eles contavam histórias de guerras e destruição, de doenças sem cura, enquanto tínhamos vacinas e imaginávamos viagens espaciais. A Lua era a estação primeira. O futuro prometia coisas incríveis. Estados Unidos e Europa eram referências de desenvolvimento político, econômico e social para quem era de direita, e a União Soviética também apresentava uma alternativa promissora para quem era de esquerda. Havia uma disputa de utopias, mas o progresso era certo, e o Brasil, o país do futuro.
Isso durou bastante tempo, até que, de uma hora para outra, essa imagem otimista se perdeu. No lugar dela uma nova narrativa dominante se estabeleceu e o futuro passou a ser retratado como uma desgraça em quase todos os aspectos. Antes associado ao progresso, o futuro se tornou catastrófico. Os bilionários do Vale do Silício investem em bunkers na Nova Zelândia e outros lugares remotos, se preparando para o fim do mundo. O Apocalipse parece cada dia mais perto. Seja por meio de mudanças climáticas, IA fora de controle, autoritarismo, pandemias, guerras… A pergunta que fica é: onde foi que perdemos o futuro?