Agosto 2026
Numa nação, acumulam denúncias graves de corrupção em todos os campos políticos. A imagem é de um corpo contaminado, no qual vermes e parasitas proliferam e se apoderam. Diariamente a imprensa serve um cálice de desgraça para a população. Os escândalos envolvem os donos do poder, mas os processos são anulados e dão em nada, como se não tivessem acontecido. A conclusão que se chega é de que as regras não são iguais para todos e que, portanto, ao invés de justiça temos uma injustiça.
Sem justiça, pergunta Santo Agostinho, o que é uma nação senão um bando de ladrões organizados em tamanho ampliado? Um Estado pode ter leis e tribunais mas, se isso serve à roubalheira e à impunidade dos poderosos, homens desonestos vão se associando, formam facções e o país se torna uma grande quadrilha.
Alexandre (o grande) certo dia perguntou a um pirata o que ele pensava sobre levar terror aos mares, ao que este respondeu: “O mesmo que você, com a diferença de que, porque tenho apenas um barco, me chamam de ladrão e você, por ter uma grande esquadra, chamam de imperador.”
Nesse país, a percepção dominante é que quase todos estão na política para enriquecer, a si mesmos e ao seu bando. Os males estão instalados, arraigados, e relutam em abrir mão do poder. A política se tornou um mercado escancarado de interesses e sistema de blindagens. A realidade triste e esmagadora da corrupção generalizada destruiu uma coisa fundamental - a confiança. O resultado psicológico é devastador. Como pode alguém acreditar que algo vai mudar quando sofre, repetidas vezes, o mais alto grau de humilhação, e a justiça nunca se torna realidade? O pensamento é de revolta. “Por que devo respeitar as regras se quem as faz e quem está lá para garanti-las não respeita?” A corrupção institucional não fica confinada aos palácios. Ela desce para a vida cotidiana e destrói o pacto social. A corrupção do alto escalão é autorização e estímulo para crimes embaixo. A violência, que tudo arrasta, espelha o exemplo da elite. A corrupção sistêmica mostra que a esperteza vence a honestidade. A percepção que se espalha é terrível: nesse país, o crime compensa.
Nesse país, as instituições passaram a ser percebidas como podres e o Estado como mecanismo de proteção dos criminosos. O Estado Democrático de Direito virou uma fachada. O cidadão paga cada vez mais impostos, os serviços seguem péssimos e os privilégios da oligarquia política estão garantidos. A sensação é que não importa quem vença as eleições. Nada muda: captura do Estado, distribuição de favores, proteção de aliados, negociação de cargos e preservação de privilégios.
Nesse país, há um cheiro podre no ar. É o pântano… um lugar onde a vida, numa permanência degradada, afunda e se decompõe.
Roma mostra como uma civilização pode apodrecer durante séculos antes de cair. A França do Antigo Regime mostra outra possibilidade. Uma elite inteira passou a ser percebida como privilegiada e incapaz de se reformar. Por muito tempo, o sistema pareceu eterno. Até que, de repente, já não conseguia mais justificar sua existência.
O futuro de um país corrompido pode ser o pântano romano ou a ruptura francesa. Pode ser decadência lenta ou explosão. Por isso a pergunta de Santo Agostinho continua tão atual. As instituições desse país servem à justiça ou à roubalheira? Se servem à justiça, ainda há República. Se servem à pilhagem, restam apenas facções criminosas com aparência institucional.
O futuro de um país corrompido pode ser o pântano romano ou a ruptura francesa. Pode ser decadência lenta ou explosão. Por isso a pergunta de Santo Agostinho continua tão atual. As instituições desse país servem à justiça ou à roubalheira? Se servem à justiça, ainda há República. Se servem à pilhagem, restam apenas facções criminosas com aparência institucional.
Bibliografia:
AGOSTINHO, Santo. A cidade de Deus: parte I. Petrópolis: Vozes, 2012.
Mais uma decepção
ResponderExcluirCom eleicao ou sem ela o barco continuara a afundar
O Governo deixará um rombo infinito para quem o suceder ou para si próprio.
A mentira continuara ‘ a imperar e o povo ,escravizado pelas Bolsa Tudo ,continuara ‘ a acreditar nas bazófias da cervejinha gelada que nunca chega
Tenho saudades do que não vivi
Pobre pais rico ,muito Rico