O homem da antiguidade - a sociedade como sistema interdependente de troca de talentos e a realização de si.

Por Dado Salem
Julho 2020




Sociedades são construídas porque não somos auto-suficientes. Precisamos uns dos outros para suprir o essencial da vida. Partindo das nossas necessidades mais simples como alimentação, moradia e vestuário, desde tempos imemoriais o ser humano foi se especializando ao invés de fazer sozinho tudo o que necessita para viver. Platão descreve isso muito bem no Livro 2 da República .

As profissões de ferreiros, carpinteiros, agricultores, construtores, oleiros, pastores, comerciantes, guardiões, músicos, medicos, professores e artifices de uma infinidade de produtos, existem desde muitos milênios antes de Cristo. Juntos representam um complexo sistema interdependente, complementar e cooperativo de troca de talentos que formaram as civilizações.

Curiosamente a palavra talento tinha o duplo sentido de aptidão e dinheiro. O talento foi provavelmente a mais antiga unidade de trocas comerciais que se tem notícia. Em 4000 antes de Cristo na Mesopotamia o talento foi introduzido como uma unidade de peso e foi posteriormente adotado por Sumérios, Babilônios, Fenícios e Hebreus. Na Grécia antiga, onde essa unidade também foi adotada, um talento representava o valor em ouro de um boi .  

As palavras têm histórias multi-milenares e muitas vezes para compreender seu sentido original é necessário reconstruir o contexto histórico.

Segundo a cultura da época, a natureza tem uma racionalidade e todo ser humano nasce com inclinações para desempenhar determinada atividade. Deveria portanto seguir essa razão e se esforçar para desenvolver seus talentos ao máximo a fim de executar aquela função com perfeição, desta forma, sendo quem nasceu para ser, atingiria uma vida plena e realizada. Tinham como ideal que se toda cidade se relacionasse dessa forma, chegariam à plenitude individual e coletiva.

Identidade e Self

por Dado Salem


Quem sou eu? 

Diante de um ET me identifico como um ser da Terra. Nesse sentido estou ligado a tudo o que existe no nosso planeta. Os átomos que formam meu corpo, os elementos químicos, minerais e vegetais em meu organismo tem origem na Biosfera (1). Comparando com outros tipos de existência, sou do Reino animal. Compartilho com uma formiga e uma onça a estrutura de cabeça, tronco e membros e a capacidade de me mover. Diante das outras espécies sou um ser humano, tenho características biológicas e psicológicas profundas iguais a todos os seres humanos (2). Festejo o ano novo com esperança, sinto amor pelos meus amigos, tenho senso de justiça, busco fazer o meu melhor, atuo como pai, como filho, como marido, como profissional e uma série de outros papéis aos quais todos nós somos convidados a atuar sem que muitas vezes percebamos. Entre os seres humanos me identifico como sendo do sexo masculino. Há coisas que as mulheres não compreendem a nosso respeito. Diante dos humanos de outros continentes sou Latino Americano. Tenho características que um Asiático não possui, rapidamente saberia identificar um Europeu recém chegado. Na África me reconheceriam como um gringo. Tenho um quê que todo brasileiro tem, basta cruzar a fronteira com a Argentina que logo sou percebido. Nasci em São Paulo e vivo no Rio de Janeiro, carrego em mim algo dessas duas cidades. Se eu for para o Sul ou para o Norte isso se torna evidente para um local. Moro no Jardim Botânico mas sou um estrangeiro em Ramos e na Rocinha. Participo do grupo de natação dos Gladiadores no Posto 6 em Copacabana. Torço pro Flamengo e participo de tantos outros grupos, como todos nós temos gravadas coisas que são exclusivas dos coletivos aos quais pertencemos. Sou membro das minhas famílias, diferentes umas das outras, mas tenho comportamentos típicos delas, os que eu noto e os que nem percebo. Tenho semelhanças com meu pai e minha mãe, sou filho do meio por parte de pai e caçula por parte de mãe. Mas também sou irmão e o filho homem mais velho. Desempenho cada um desses papéis dependendo da situação. Tenho portanto múltiplas identidades dependendo da posição ou do grupo social em que me encontro ou pertenço (3)(4). 

Mas então finalmente eu estou no meu quarto, sozinho. Eu sou eu. Diferente de qualquer outra pessoa que existe, que já existiu e que existirá. Sou um homem típico do meu tempo, mas diferente de todos os outros. Eu sou minhas circunstâncias. Alguns dizem que nascemos como uma Tabula Rasa, que somos formados por tudo que acontece em nossas vidas. Concordo e discordo dessa idéia. Tininha me contou que percebeu assim que colocou no colo cada filho recém saído de sua barriga, que eram totalmente diferentes. De onde vem isso? Há quem fixe essa reflexão no nível biológico. Normal para quem tem uma visão biológica das coisas. Mas há outras formas de entendimento. Minha reflexão se situa entre a filosofia antiga, a psicologia, e outras ciências humanas. Por que escolhi essa forma de ver as coisas e não outra? Por que tenho mais facilidade para olhar o mundo desse ponto de vista e quando uso essas lentes as coisas fazem sentido para mim? Por que dentre uma infinidade de possibilidades que me cercam algumas fazem sentido e outras não? De onde vem minhas preferências e inclinações? 

Encontrei uma explicação que me tocou no conceito antigo de Pathos, termo usado pelos gregos para nomear as emoções. Pathos é uma potência capaz de agitar a mais profunda instância do ser humano, uma inclinação natural influenciadora de nossas decisões e ações que tem como finalidade nos desenvolver e realizar. Funciona como uma bússola eficiente quando trabalhado em conjunto com o Logos, a razão.

Por outro lado, se deixado sem controle, Pathos pode se transformar em força destrutiva, nas paixões que os estóicos e cristãos consideraram posteriormente como vícios, ou nas doenças que a modernidade trata como patologias (5). 

Interdependencia, complementariedade e necessidade de coperação






Conviver com pessoas diferentes em termos raciais, religiosos, econômicos, políticos etc... é o desafio mais urgente enfrentado pela sociedade hoje. Temos a tendência de evitar o envolvimento social com pessoas que diferem de nós mesmos, como cães que latem para desconhecidos. Este livro examina por que isso aconteceu e o que podemos fazer para mudar.

Sennet lecionou durante muitos anos na London School of Economics (LSE) e no New York Institute of Humanities (NYU).

Sabendo tirar proveito da Pandemia





Fiz com minha família um pequeno grupo de leitura da Peste de Camus. Foi uma forma de elaborar e até mesmo tirar proveito da pandemia. Lemos cerca de 20 páginas por dia e à noite, no jantar, discutimos o texto. O primeiro a falar sempre foi meu filho Francisco, o mais jovem, depois eu e seguimos por ordem de idade crescente deixando as mais sábias por último. Foi uma experiência maravilhosa e Francisco gostou tanto que pediu para continuar. Escolhemos o próximo livro. Vamos dar alguns dias de intervalo para assimilar o texto e partiremos para Macbeth de Shakespeare.

Dia 40 da quarentena




Hoje faz um mês que estamos confinados! Graças a Deus estamos bem. Vamos continuar assim mais um tempo, é preciso paciência. Foi a primeira vez que a quaresma coincidiu com a quarentena. Se o número 40 for realmente mágico nesse sentido da transformação, dentro de alguns dias devemos começar a ver mudanças nas nossas vidas e na sociedade.

Vamos ficar atentos aos sinais de Renascimento, Mudança, Transformação, Passagem, Vida Nova.

Boa Páscoa!

Superando obstáculos

Por Dado Salem
Março 2020

A quarentena forçada é uma ótima oportunidade para fazer mudanças importantes em nossas vidas. Afinal, quando foi que o mundo parou e tivemos tempo para refletir?



Podemos usar esse tempo para fazer um balanço e nos permitir imaginar uma vida prazerosa e desejada. Porém, na hora de sair do mundo das idéias e pensar na execução, imediatamente surgirão múltiplos obstáculos: financeiros, culturais, familiares, físicos, sociais, psicológicos, políticos, emocionais, etc.

Quando a vida retomar, se não mudarmos algo dentro de nós, teremos de volta os problemas que sempre nos impediram realizar aquilo que sonhamos e mais alguns que estão sendo colocados no nosso caminho agora.

No entanto, se observarmos a natureza como fizeram os Estóicos e os Taoistas, aprenderemos com a água que os obstáculos estão aí para serem contornados. Ela corre morro abaixo sempre encontrando uma maneira de seguir seu caminho.

Não temos controle sobre o que nos acontece, mas podemos controlar a forma como respondemos aos fatos. Os Estóicos tinham uma máxima chamada Amor Fati, ame os fatos, ame a realidade. Ela está aí. Não adianta ficar reclamando, colocando a culpa em alguém ou se sentir incapaz de realizar o que deseja. Temos a tendência natural a ficar paralizados ou desistir diante de monstros que são os obstáculos. O obstáculo não está no caminho, ele é o caminho! A pergunta é, como vamos fazer para superá-lo?

Intervalo - como tirar proveito da quarentena

Por Dado Salem
Março 2020


Estamos diante de um bloqueio. Fomos obrigados a uma parada forçada por fatores que estão além do nosso controle. Não é momento propício para qualquer iniciativa. É hora de descansar e fazer trabalhos internos, coisas simples como cuidar da casa, cozinhar, lavar pratos, ficar com a família, ler, assistir filmes… É também um excelente momento para refletir sobre nossa propria vida.

É como se um tempo do jogo tivesse terminado, um intervalo para descansar e refletir. Já vivemos muito e temos muito a viver. Daqui a pouco retomaremos. Mas de que forma?

Como foi sua vida até aqui? O que deu certo e o que não está funcionando? A coisa mais importante do intervalo é arrumar o que não está bom. É uma tarefa difícil mas fundamental se quisermos uma vida melhor. É hora de resolver problemas antigos, desavenças, ressentimentos, pedras que estão há tempos no sapato nos incomodando. Pare de remoer o passado. Resolva esse problema de uma vez por todas que a vida ficará mais leve e o futuro se abrirá com mais clareza.

Fórmula infalível para vencer na vida

Por Dado Salem
Março 2020


Em primeiro lugar procure um ambiente fértil. Um espaço onde você pode aprender uma coisa que te interessa. Não importa o assunto. Onde estão as melhores pessoas dessa área? Pode ser a música, o esporte, medicina, engenharia, letras, artes… Se aproxime dessas pessoas. Onde elas moram? por onde andam? onde trabalham? de quais feiras e congressos participam? que bares frequentam? Não é necessário ter dinheiro. Peça emprego como garçom ou garçonete mas fique perto dessas pessoas. Em pouco tempo estará amigo delas. Quer trabalhar no mercado financeiro? Peça emprego como officeboy na melhor instituição do ramo.

Estude, leia tudo a respeito desse tema. Procure no Youtube, Instagram e pela internet em geral, há muita informação gratuita. Quais autores os especialistas recomendam? Em quais jornais publicam? Leia-os. Siga essa gente nas Mídias Sociais.

Pratique. Dedique seu tempo ao assunto que te interessa. Aprofunde-se nele. Treine como um atleta, mas com inteligência para não exagerar e cansar.

Epimeteu e a caixa de Pandora

Por Dado Salem
Fevereiro 2020

Os ensinamentos da Mitologia Grega sobre as pessoas que primeiro fazem e depois pensam


É bom ter cuidado com esses tipos que costumam falar antes e pensar depois.

Na mitologia grega, um dos mais perfeitos compêndios da psicologia humana, há uma figura justamente com essa característica: Epimeteu.

Epimeteu era irmão de Prometeu, aquele que roubou o fogo dos Deuses e deu aos homens. Os nomes deles dizem muito. Prometeu vem de pro, antes de, e methos, observar, pensar, ou seja, é aquele que reflete antes de agir. Epimeteu é o oposto. Epi, significa depois de, trata-se portanto daquele primeiro fala e age e depois pensa.

Sociedade em rede e as habilidades relacionais

por Dado Salem
Fevereiro 2020


O presidente do Google Sundar Pichai tem afirmado seguidamente que a Inteligência Artificial causará mais impacto na humanidade do que o fogo e a eletricidade. O mundo está mudando tão rapidamente que tudo nos leva a crer que ele está certo e que estamos no meio de uma grande revolução. Se observarmos os exemplos do passado, constataremos que revoluções desta magnitude mudaram radicalmente nossa maneira de viver.

Medo, confiança e o comportamento coletivo

por Dado Salem
Dezembro 2019

O poder dos sentimentos sobre o sistema econômico


Em setembro de 2008, a terra tremeu. Num período de 10 dias, a maior seguradora do mundo, dois dos maiores bancos de investimento do planeta e dois gigantes das hipotecas americanas, com ativos somados de 4,5 trilhões de dólares, faliram, foram nacionalizados ou acabaram resgatados da falência com a ajuda do dinheiro dos contribuintes. (The Economist 20/9/2008).

A crise dos sub-primes, como o episódio ficou conhecido, foi uma surpresa até para quem ajudou a criá-la. James Cayne, presidente do Bear Sterns, um dos grandes bancos engolidos pela falta de liquidez, argumentou que sua empresa não havia feito nada de errado. O Bear Sterns acabou comprado pelo JP Morgan Chase por 10% do seu valor de mercado. (Lounsbury; Hirsch, 2010).

No caso do banco de investimentos Lehman Brothers, um dos mais importantes dos Estados Unidos, as autoridades financeiras decidiram, num momento de grande incerteza no início da crise, deixá-lo falir, confiando que o mercado se ajustaria sozinho. Acontece que o mercado é um grande coletivo e, naquele momento extremo, sem o apoio de um líder ou de uma ordem de socorro, o Medo, já em sua forma extrema, o Pânico, se espalhou rapidamente.

Alguns meses depois, o Secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, explicou que a falência do Lehman Brothers causou uma crise sistêmica e um comprometimento da Confiança no mercado financeiro.

Um ano depois da crise, Ben Bernanke, ex-presidente do Banco Central norte-americano, confessou, numa entrevista à revista Time, que quando o Lehman Brothers quebrou quase todas as grandes instituições financeiras do mundo correram um significativo risco de quebrar junto.

Por que essa falência teve um impacto tão grande nos mercados e na economia de tantos países?

O papel das emoções na Visão de Futuro

Por Dado Salem
Novembro 2019


Quando jovem comprei num sebo uma biografia de Freud escrita por Stefan Zweig. Dentro desse livro encontrei um recorte de jornal da Folha da Manhã, de 16 de fevereiro de 1947. Era um artigo de Psicologia descrevendo a hipótese do funcionamento psíquico proposto por Freud. Nele estava a constatação de que conteúdos inconscientes, como instintos e emoções, interferem nos nossos pensamentos, decisões e ações.

Eu ignorava por completo que essa parte desconhecida poderia conduzir minha vida para um lado desfavorável, que não me interessava. Naquele momento o que mais me preocupava era a construção do meu futuro, afinal havia literalmente uma vida pela frente. Mas como poderia pensar no futuro sem conhecer minimamente o que se passava nesse outro lado, o inconsciente? Hoje, quando me vejo estudando a construção de futuros, essa história ressurge. Como investigar esse tema sem considerar o papel das emoções?

Na antiguidade, os gregos, profundos conhecedores da psique humana, chamavam as emoções de Pathos. Potência capaz de agitar a mais íntima e profunda instância do ser humano, Pathos era considerado uma inclinação natural, conteúdo psíquico influenciador de nossas decisões e ações que tinha como finalidade desenvolver e realizar o ser humano. Funcionava como uma bússola, sendo eficiente quando trabalhado em conjunto com o Logos, a Razão.

Por outro lado, se deixado sem controle, Pathos poderia se transformar em força destrutiva, nas paixões que os estóicos e cristãos consideraram posteriormente como vícios, ou nas doenças que a modernidade tratou como patologias. (Chaui, M)

Otimistas, Pessimistas e a Visão de Futuro

Por Dado Salem
Outubro 2019

O futuro pode ser colorido e brilhante. Ou embaçado e escuro. Depende de quem vê. Mas como se forma esta ou aquela visão?


Foi buscando respostas para essa questão que o filósofo Fred Polak se tornou uma figura emblemática, embora injustamente desconhecida, de um campo de conhecimento de grande relevância atualmente: o Estudo do Futuro (Future Stidies).

Nos anos 50, Polak foi Professor Senior do então recém-criado Centro de Estudos Avançados em Behavioural Sciences na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Muitas pessoas que viveram aquele momento em que se iniciou o que se chama hoje de Estudo do Futuro atribuem a Polak e suas teorias algumas das pedras fundamentais desse importante movimento do pensamento humano.

Dr. Polak, como era chamado, era uma pessoa interessantíssima. Diziam os amigos que jantar com ele e sua mulher, ou passar um tempo conversando com eles, era das melhores coisas que alguém poderia fazer. Graduado em Direito e Economia, Polak, por ser judeu, passou anos num esconderijo durante a 2a Guerra Mundial. Foi onde escreveu sua tese de doutorado em Filosofia.

As flores do amanhã

Por Dado Salem
Outubro 2019


Mesmo sabendo da nossa capacidade de intervir na realidade e criar o futuro, um certo medo se estabeleceu no imaginário coletivo. O futuro já não é o que foi. Uma tragédia parece estar por vir e o pessimismo virou senso comum. 

As mudanças climáticas vão tornar a vida no planeta mais difícil, a economia entrará em crise permanente, os empregos serão mais precários e difíceis de conseguir, os benefícios sociais serão reduzidos, a desigualdade aumentará, a transformação digital destruirá muitas empresas. Ressurge a ideia de que o capitalismo com seu poder de auto destruição será conduzido ao colapso. 

As evidências desse desassossego se multiplicam. No Brasil, um dia considerado o “país do futuro”, hoje se diz que o futuro passou. O escritor angolano José Eduardo Agualusa publicou seu “kit de sobrevivência para o fim do mundo” e a jovem ativista sueca Greta Thunberg protesta que o futuro de sua geração está sendo destruído. 

A psicologia do século XX demonstrou que, além dos instintos, nossa visão da realidade e comportamentos, em muitos casos, estão relacionados às experiências formativas que tivemos na infância. Mas diante do que estamos vivendo e observando, podemos dizer que o futuro tem nos atormentado muito mais do que o passado. A imagem que temos do futuro é possivelmente o fator mais significativo para determinar nossas atitudes. 

Por exemplo, se achamos que o futuro será pior que o presente, um desânimo toma conta da gente, nossos sonhos e projetos são desfeitos ou deixados de lado, entramos no modo de sobrevivência e adotamos uma postura defensiva perante a vida. Por outro lado, se vemos o futuro de forma positiva, somos impulsionados a realizar nossas idéias e desejos, exercendo nossa criatividade.

Ítaca

Por Dado Salem
Julho 2019




A Odisséia de Homero narra o caminho de provas pelas quais Odisseu (Ulisses) teve que passar para conseguir retornar a Ítaca, o seu lugar no mundo. O deus Possidon, protetor de Tróia, põe à prova a glória de Odisseu, que havia dado a vitória aos gregos ao criar o famoso estratagema do cavalo de Tróia. Sua viagem cheia de obstáculos durou mais de 10 anos. Odisseu deu uma lição de humildade ao abrir mão da imortalidade e outros benefícios oferecidos pela deusa Calipso, de estonteante beleza. Noutra passagem tentadora, recusou a princesa Nausica deixando claro que estava em busca de seu próprio caminho e que aceitava o destino que lhe coube. No episódio dos Lotófagos, escapou da ameaça do esquecimento (de quem ele era) e contra o Ciclope se salvou pelo anonimato, dizendo que seu nome é Ninguém. No Hades (lugar sombrio para onde vão as almas do mortos), Odisseu foi orientado pelo sábio Tirésias a não querer o que não lhe pertence. Também não se deixou seduzir pelo canto das Sereias, e mesmo na chegada a Ítaca, onde teve de enfrentar os pretendentes de sua Penélope numa luta carnicenta, ainda repreendeu a ama Euricléia que celebrava sua vitória.

Essa narrativa descreve as vivências necessárias ao aperfeiçoamento espiritual de Odisseu para que conseguisse retornar de sua viagem, ou seja, para que conseguisse ser ele mesmo! Odisseu saiu um e retornou outro. A Odisséia pode ser vista, portanto, como o rito de passagem, a regeneração de Odisseu, ou a transformação dele num herói, nos padrões da antiguidade.

O poema Ítaca de Konstantinos Kaváfis é uma releitura da Odisseia, a viagem para casa como um encontro com nos mesmos:

Se partires um dia rumo a Ítaca,
faz votos de que o caminho seja longo,
repleto de aventuras, repleto de saber.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o colérico Posídon te intimidem;
eles no teu caminho jamais encontrarás
se altivo for teu pensamento, se sutil
emoção teu corpo e teu espírito tocar.
Nem Lestrigões nem os Ciclopes
nem o bravio Posídon hás de ver,
se tu mesmo não os levares dentro da alma,
se tua alma não os puser diante de ti.

Os Bolsonaro, um bloco

O Globo
por Ascânio Seleme
Março 2019

As posições deles são resultado de um pensamento único, elaborado ao longo de anos


Aqueles que ainda pensam ser possível separar o presidente Jair Bolsonaro de seus filhos, mesmo que apenas na gestão do país, é melhor ir logo tirando o cavalinho da chuva. Os Bolsonaro são um bloco único, monolítico, inseparável e inquebrantável. Suas posições são resultado de um pensamento único, elaborado ao longo de anos, e nenhum dos seus membros sobrevive sem os demais, explica Dado Salem, economista, mestre em Psicologia do Desenvolvimento e sócio da Psiconomia, empresa especializada em gerir questões complexas e sensíveis envolvendo famílias e negócios.

Salem fez um estudo sobre a família do presidente tomando por base entrevistas que cada um deu ao longo dos anos e suas manifestações nas redes sociais. Com esses elementos e com o apoio de um relatório contendo as nuvens de palavras mais repetidas por cada Bolsonaro no Twitter, elaborado em 2016 pela cientista política Mariana Cartaxo, foi possível escrutinar a raiz comum do raciocínio de Jair, Flávio, Carlos e Eduardo.

Psicologia Econômica e os Family Offices

por Dado Salem
Setembro 2018

Como lidar com a irracionalidade e aflições de clientes com ampla liquidez? O imaginário coletivo considera que o dinheiro é a solução dos nossos problemas. A experiência mostra que não é bem assim.

“Fui dono do meu próprio negócio por tanto tempo que, quando o vendi, foi desconcertante perceber que agora eu tinha que descobrir quem eu era. Nos meses seguintes à venda, comecei a refletir sobre o que eu queria fazer do meu futuro”. Depoimento de um ex-empresário.

Empresarios geralmente constroem a vida em torno de seus negócios, e por esse motivo costumam ficar desorientados quando vendem suas empresas. Um pedaço deles vai embora, justamente aquele que consumia boa parte de sua energia psíquica. Investimento, esforço, alegrias, aflições, vitórias e derrotas, histórias, pessoas… uma empresa é um aglomerado de emoções e a identidade do empreendedor está profundamente relacionada a ela.

Solução em duas rodas

por Dado Salem
O Globo
Outubro 2014

Psiconomia apoia o uso da bicicleta como meio de transporte.


Em abril de 2008, a revista “Time” classificou a cidade de São Paulo como dona de um dos piores trânsitos do mundo. Presos entre um carro e outro, com o horizonte limitado ao para-choque da frente, os paulistas começaram a assistir aos telejornais, DVDs, navegar na internet, estudar línguas, fazer qualquer coisa dentro do carro para tentar escapar daquela situação desesperadora. Uma pessoa normalmente passa de duas a três horas por dia engarrafada no trânsito paulistano, cerca de 30 dias perdidos anualmente.

Como lidar com um chefe difícil

Gastamos cerca de 1/3 da vida adulta trabalhando. Reduzir o stress no trabalho é portanto fundamental para ter uma vida satisfatória. Mas o que fazer diante de um chefe difícil?
















Aqui vão algumas dicas:

1) Procure entender os motivos do comportamento do seu chefe. Se for resultado de stress, há boas chances de ser modificado. Se for algo crônico, se ele tiver um caráter agressivo e estilo abusivo, as chances são pequenas.

2) Cuide de suas próprias reações para não entrar numa dinâmica destrutiva, não enfrente seu chefe, procure não agir de forma defensiva.

Irracionalidade e o efeito manada

Por Dado Salem
Maio 2013



Imagine que você está andando na rua e vê dois restaurantes vazios. Você não conhece nenhum deles e escolhe um para sentar. Em seguida chega um grupo que também não sabe nada dos restaurantes, eles vêem um restaurante sem ninguém e outro com você dentro. O que eles fazem? Escolhem o que você está. Na sequência vem um casal, olha os dois restaurantes e pensa: esse que tem gente deve ser melhor que o vazio, e acaba escolhendo o mesmo. E assim vai acontecendo até que no final temos um restaurante que é um sucesso e outro um fracasso, simplesmente porque tendemos a seguir outras pessoas. Dan Ariely, um dos expoentes da Psicologia Econômica, criou essa alegoria para ilustrar que chamamos de "efeito manada".

Um triste exemplo desse comportamento foi verificado na tragédia da boate em Santa Maria, no sul do Brasil, onde centenas de jovens acabaram perdendo a vida por conta de um incêndio. Ao entrarem no local, os bombeiros notaram que muitos morreram no banheiro, provavelmente porque viram alguém correndo naquela direção e acabaram seguindo o instinto de manada: “se estão indo naquela direção é porque deve ser o melhor a fazer”. O instinto é muito forte.

O perigo do líder centralizador

por Dado Salem




Sabemos que tomar uma decisão sozinho é mais fácil que em grupo. O psicólogo José Ernesto Bologna consumava dar o seguinte exemplo: se você quiser ir ao cinema basta entrar na internet, escolher o filme e comprar o ingresso. Agora tente fazer isso num grupo de 8 pessoas. Um prefere drama, outro filme europeu, um terceiro não pode naquele horário, um quarto já assistiu o filme, e por ai vai. Essa simples tarefa pode demorar horas e provocar muita discussão. 

Mas quando falamos de decisões complexas a coisa pode ser bem diferente.

Um ambicioso pedreiro

Desde os primórdios da humanidade a sabedoria é transmitida por meio de histórias. Essas narrativas, que são modificadas ao longo do tempo e de acordo com a inspiração do contador, possuem a capacidade de ficar guardadas dentro de nós, e quando precisamos, de alguma forma elas brotam na consciência. 

Um dos maiores tormentos do ser humano é o desejo de ser uma coisa diferente do que é. Como costuma-se dizer, o fruto do vizinho parece mais saboroso. Esse conto milenar chinês mostra com simplicidade e inteligência o que pregavam os filósofos gregos: conhece-te a ti mesmo e torne-te quem és!























ilustração: Maria Eugênia
publicado em Contos Populares Chineses vol.1
Landy Editora (2001)



Há muitos anos, na terra de zhuang, havia um pedreiro muito habilidoso cuja fama até já tinha chegado às regiões vizinhas.

Um dia, um homem muito rico mandou-o fazer uma obra. O pedreiro, quando lá chegou, ficou extremamente impressionado com o luxo que havia naquela casa, nas vestimentas e nas sedas e brocados, na mesa repleta dos mais diversos e saborosos petiscos, na quantidade de empregados etc. Invejoso, abandonou o trabalho e só pensava na maneira de vir a ser, ele também, um homem muito rico.

Curriculum: Dicionário semântico histórico de termos econômicos


Todos temos talentos, mas algumas pessoas costumam ser mais valorizadas que outras. Quais são os curriculuns mais requisitados? Vejamos o que um rápido mergulho na origem dessa palavra tem para revelar...





















ilustração: Maria Eugênia

Curriculum: Palavra latina que significa corrida, originada em curro, correr. Associada a currus, cavalos que puxam um carro. Quando falamos de recursos humanos de certa forma nos referimos a cavalos de corrida. Essa idéia é reforçada não apenas quando observamos a vida apressada dos executivos, mas também quando percebemos que outros termos da vida profissional carregam o mesmo sentido. Carreira é um exemplo inequívoco. Mas as coincidências não param por aí. O coach, figura tradicional das praticas esportivas e cada vez mais difundido no meio executivo, não por acaso tem sua origem no cocheiro – treinador de cavalos. Platão explica no diáligo Fedro que dentro de nossa alma carregamos um puro sangue e um pangaré. Segundo ele, o desenvolvimento do ser humano depende de conseguirmos administrar bem essa relação. Lidar com pessoas numa empresa significa portanto extrair o melhor de cada um e procurar controlar o seu pior. Os curriculuns mais requisitados costumam ser aqueles de pessoas rápidas, ágeis, resistentes e que tem espírito, como os cavalos puro sangue. Já os pregiçosos, de difícil trato, burocráticos, que vivem empacando as coisas, acabam encontrando dificuldades na carreira.

Capital: Dicionário semantico histórico de termos econôminos


por Dado Salem

As palavras têm histórias multi-milenares. Iniciam quando o ser humano emitiu os primeiros sons, passam por civilizações arcaicas e medievais até chegarem ao uso atual. Uma das questões que mais mobiliza a linguística é a mudança de significado que as palavras sofrem ao longo do tempo. Algumas têm seu significado tão transformado que para traduzir o sentido original é necessário reconstruir o contexto histórico. Nesse estudo procurei investigar o significado de algumas “palavras-chave” do economês. Dizem os filólogos que esses termos costumam representar a sociedade. O objetivo foi fazer uma introdução ao significado histórico das palavras que permeiam nossa vida econômica. A abordagem que utilizei se afasta da racionalidade e da exatidão teórica dos modelos econômicos, mas veremos que por meio de uma linguagem mais misteriosa e imprecisa é possivel revelar conceitos esquecidos que nos permitem saber melhor quem fomos, reconhecer quem somos e assim refletir sobre nosso futuro.


                                                                                                             











Ilustração: Maria Eugênia


Capital: véu que sacerdotisas traziam na cabeça durante sacrifícios.

Vida acelerada e o excesso de informação

Por Dado Salem
Março 2012

                                                                                                  ilustração: Maria Eugênia
                                                                                 
"Estou tão acelerada que começo uma conversa ao telefone e depois logo quero desligar e focar em outra coisa". "Faltam horas no meu dia. Estou sobrecarregado, e com as mudanças acontecendo na empresa, as coisas estão piorando". "Recebo e-mails demais, não dou conta de responder". 

Lembra quando não existia celular, email, sms, facebook e smartphones? Não faz muito tempo. Saíamos para almoçar com tranquilidade, conversavamos sem interrupções, depois voltavamos caminhando lentamente para o trabalho para resolver as coisas que faltavam. As 18:00hs já estavamos indo para casa. Essa vida acabou, pelo menos nas metrópoles.

Ninguém mais anda devagar nos grandes centros. Todos se movimentam o mais rápido possível para dar conta do que fazer. O psicólogo Robert Levine conta em Geography of Time que conduziu uma pesquisa em 31 países para medir a velocidade das pessoas caminhando nas ruas. Nos últimos anos a velocidade média subiu de 4,78 km/h para 5,26 km/h. Segundo ele, é prova inequívoca de que o ritmo de vida está acelerando.

O que há por trás da compra compulsiva

por Dado Salem

A Sociedade de Consumo existe desde o início da modernidade, com a ascensão da burguesia após a Revolução Francesa. Alguns dizem que o livro de Gustave Flaubert - Madame Bovary, publicado em 1856, marca esse momento, descrevendo uma mulher que consome além de suas possibilidades e se afunda em dívidas, como tentativa de aplacar uma sensação de vazio. É a ideia do “consumo logo sou”, ou "existo".




Por que consumimos? Essa questão pode parecer simples à primeira vista, mas esconde um universo complexo de significados, desejos e construções sociais. O consumo vai muito além da satisfação de necessidades básicas; ele é um elemento estruturante da identidade, da distinção social e da cultura contemporânea. Mais do que adquirir produtos, consumimos significados. Escolhemos um objeto não apenas por sua utilidade, mas pelo que ele representa para nós e para os outros. A moda, por exemplo, não é apenas estética; é um código social que define pertencimento e status. A imaginação é essencial para essa dinâmica: quando um objeto perde seu apelo imaginativo, buscamos um novo.

A transformação do consumo em um motor cultural está ligada à influência do romantismo, que consolidou a ideia de que objetos e experiências podem modificar nossa identidade e nos aproximar de nossos ideais. O ato de consumir se torna uma forma de projetar e reinventar quem somos. Historicamente, as sociedades eram marcadas pelo coletivismo, onde a identidade era herdada e fixa. Com a modernidade, houve uma transição para o individualismo, onde a identidade se tornou relacional e fluida. Esse processo se intensificou com o consumo, que passou a ser um meio de autoexpressão e diferenciação. A liberdade de escolha é um dos grandes valores do mundo contemporâneo, mas também gera tensões: queremos ser autônomos, mas também pertencemos a grupos e buscamos aprovação. Isso leva ao fenômeno do consumo como marcador de identidade, onde estilos de vida e experiências substituem bens materiais como principais formas de distinção social.

O workaholic e o apaixonado: formas diferentes de trabalhar muito

por Dado Salem
Fevereiro 2012






Existem dois tipos de pessoas que trabalham com intensidade: o workaholic e o apaixonado pelo que faz. 


O workaholic tem, em muitas situações, uma forma negativa de se relacionar com o trabalho. Apesar de trabalhar mais que os outros e muitas vezes superar o resultado esperado, ele gera uma série de problemas para quem está à sua volta, na empresa e fora dela. Pesquisas identificam que os workaholics costumam ter mais conflitos pessoais, são menos satisfeitos com o que fazem, levam mais problemas de casa para o trabalho e vice-versa, estabelecem relações piores que a média das pessoas e, além disso, tendem a ser mais insatisfeitos com a vida. 

Ciclos de vida: A crise dos 40 na empresa familiar


por Boris Frenk e Dado Salem

Assim como no desenvolvimento humano individual, os quarenta anos constituem um momento particularmente sensível na vida das empresas, e especialmente nas empresas familiares, os quarenta anos são também um ponto de transição importante, muitas vezes vital para a sobrevivência dessas organizações.

Empresas familiares são formadas por pessoas com vínculos afetivos intensos e íntimos. Estes vínculos podem ser a razão da existência da empresa, mas podem também ser a razão de seu fim, se não forem elaborados e canalizados criativamente. Estudos mostram que ao redor dos quarenta anos de existência a empresa familiar atravessa uma importante crise, resultado do entrelaçamento de ciclos de vida dos indivíduos envolvidos na empresa.

A crise dos 50 - profissionais experientes em transição de carreira


por Dado Salem

                                                                                         ilustração Maria Eugenia



Ao redor dos 50 anos, executivos experientes e bem sucedidos podem viver uma transição forçada em suas carreiras, desafio para o qual, em geral, não se preparam. Nesse momento, a vida tende a fazer com que se deixe de trabalhar para os outros e se comece a trabalhar para si mesmo, como consultor ou empreendedor.

Celebridades e sapatos no cérebro feminino

por Dado Salem


Existem 4 tipos de endossos em campanhas publicitárias: o do especialista, o do presidente da empresa, o do consumidor comum e o da celebridade. Este último é o mais eficaz, por esse motivo é tão comum vermos pessoas famosas sendo utilizadas para alavancar a venda de produtos. Nos Estados Unidos, uma em cada 4 campanhas usa celebridades para algum tipo de endosso (1). 

Essa prática não é nova. Dizem que teve início no século XVI quando um fabricante de porcelanas na Inglaterra desenvolveu uma linha para uso da Rainha Charlotte e foi nomeado "Potter to Her Majesty". A Queensware China, como ficou conhecida, se tornou um sucesso imediato de vendas.

Pesquisas científicas recentes revelaram que o efeito da fama em produtos é uma espécie de toque de mágica. Não há necessidade de palavras (2). Basta colocar a imagem do produto ao lado do personagem para que aconteça uma imediata e duradoura transferência de atributos positivos da celebridade para o produto. Uma única e rápida exposição é suficiente. Veja os exemplos abaixo:



Megalomania: História da construção das pirâmides

por Dado Salem




É comum vermos pessoas se desvalorizando, se sentindo menos e não acreditando em si mesmas. Muitas vezes são talentos desperdiçados. Quando presenciamos esse tipo de coisa, percebemos o quanto é saudável gostar e cuidar de si mesmo. No entanto, quando a auto-estima cai abaixo de um certo patamar e o indivíduo passa a se achar um zero - incapaz de ser amado, acontece um fenômeno: o outro perde completamente a importância.

Desplugado afetivamente do mundo,

Pluto: um deus chamado dinheiro


Por Dado Salem


Em 388 a.C. Aristófanes encenou uma peça chamada Pluto, traduzida como A riqueza ou, Um deus chamado dinheiro. O enredo é bastante simples:

Um sujeito honesto porém pobre, inconformado de ver ricos desonestos andando impunemente pela cidade, decide consultar o oráculo de Apolo para saber se deve educar seu filho a ser um trambiqueiro.

Os 10 mandamentos da mulher contemporânea

por Dado Salem
ilustrações Maria Eugênia




1) Busque um trabalho que goste: Por mais que pesquisas apontem que quando somos remunerados por uma atividade ela tende a perder um pouco do seu encanto, ainda é melhor do que sermos obrigados a fazer uma coisa que não gostamos. Além disso, quando escolhemos um trabalho que nos dá prazer, quebramos a dicotomia entre trabalho e vida pessoal.

Elogios até a velhice

Por Dado Salem
Setembro 2011


No livro III da obra Econômicos, Aristóteles expõe suas idéias sobre a postura que uma mulher honrada deveria ter em relação à economia da família.

Dentre uma série de costumes que foram preservados até a geração de nossos avós e que hoje soam antiquados, um pequeno parágrafo salta aos olhos do leitor sensibilizado com os absurdos produzidos pelo excesso de consumo da nossa geração. Segundo o autor, a mulher deveria "zelar para que os custos, a roupa e os enfeites sejam inferiores aos costumes da cidade".

Roupas e enfeites inferiores aos costumes da cidade? Isso parece absolutamente nonsense nos dias de hoje.

Um trabalho interessante

Por Dado Salem
Ilustrações Maria Eugênia

Não é fácil encontrar um trabalho interessante, mas é possível. Ouvi 32 pessoas apaixonadas pelo que fazem e percebi, pela recorrência das afirmações, os fatores mais importantes para alcançar isso:


1) Seguir sua paixão
2) Ser perseverante
3) Fazer contatos, se relacionar
4) Inovar
5) Ser curioso

listo abaixo algumas frases que extraí dessas entrevistas:

1) Seguir sua paixão:



"era apaixonada por algumas questões e fui atras delas"
"me permiti ir atrás daquilo que me interessa"
"busquei sempre coisas que tinham a ver comigo"

A vulnerabilidade do poder

por Dado Salem

                          Ilustração Maria Eugênia


Os poderosos costumam ter um certo senso de invulnerabilidade. O sucesso ao longo da vida reforça a autoconfiança até o momento que turva a razão, fazendo com que se sintam invencíveis. Eles se entorpecem com a própria capacidade num fenômeno chamado inflação do Ego e começam a pensar que o que se aplica aos outros não se aplica a eles. Os poderosos se tornam arrogantes.

Ao se colocarem numa pretensiosa posição superior, perdem o contato com as coisas inferiores. É o inicio da queda. A arrogância antecede a ruína porque considera inofensivos riscos que poderiam ser prevenidos a tempo. Os poderosos ficam, desta forma, vulneráveis a detalhes inesperados que podem colocar a perder tudo aquilo que foi conquistado. Isso se resume num antigo ditado grego que diz: "quando os deuses querem destruir alguém eles primeiro o enaltecem", ou num outro chinês "um enorme navio pode afundar por causa de um pequeno vazamento". A Bíblia também cita em seus provérbios que "a soberba precede à ruína; e o orgulho, à queda".

A experiência mostra que coisas menores, baixas e desprezadas, são justamente as tendem a acertar os poderosos em seu ponto fraco. Vejamos alguns casos:

A PSICODINÂMICA DAS EMPRESAS FAMILIARES

por Dado Salem e Boris Frenk

Existem muitas forças que atuam no cotidiano de uma empresa. É comum vermos autores e professores prestigiosos citarem fatores como clientes, fornecedores, concorrentes, governos, ambientes setorial e macroeconômico, e até a natureza. No entanto, a maior parte das empresas tem seu controle nas mãos de famílias. É possível dizer, portanto, que um elemento de influência poderoso costuma ser deixado de lado: a psicodinâmica familiar.

O contador de estórias

Yacob era um homem feliz. Ele tinha um grande amor por seus semelhantes, mas o mundo à sua volta lhe parecia brutal, com a alma seca, com o coração sombrio. Isso lhe fazia sofrer e ele se perguntava: como tornar esse mundo melhor?